segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que eu não fiz.

Neste final de semana estive em uma grande loja de departamentos  para comprar vasos, terra, adubo, plantas e ferramentas. Já há algum tempo nutro profundo amor pelo verde e planejava trocar algumas plantas de vaso aqui em casa. Saímos, eu e meu marido, num sábado quente para fazer tais compras. Loja cheia, mas como é bem grande, não havia um excesso de pessoas a ponto de incomodar.
Gastamos um bom tempo na seção de vasos. Escolhendo, analisando, pensando quantos precisaríamos de cada tamanho, as cores, etc. Vejo na ponta do corredor uma família engajada no movimento de tirar uma caixa grande de uma prateleira, que eu não fazia ideia do que seria. O “chefe” da família, um senhor grisalho de fala forte,  conduzia toda a ação. A retirada da caixa, no entanto, provocou um desequilíbrio em alguns vasos que estavam logo ao lado e, obviamente, todos foram ao chão.
Tudo bem, eram de plástico! Bastaria recolhê-los de volta ao lugar que tudo ficaria bem. Mas o enérgico senhor apenas olhou a cena e continuou conversando com seus familiares, com a caixa já nas mãos.
Não me aguentei. Por que será que ele não pegou os vasos que derrubou e os restaurou a antiga posição? Muito simples, pensei: porque ele está “pagando” e ali certamente tem um funcionário para fazer isso por ele.
Fui até o local, pedi: “me dá licença, por favor?”, e pus-me a recolher os vasos, um a um. O senhor não mostrou qualquer reação: seguia muito interessado em sua caixa, mas percebi claramente que entendeu o que havia acontecido.
Pois bem, família feliz dispersada, voltei para o lado do meu marido, que a esta hora escolhia adubo. Foi quando avistei, do outro lado, algumas suculentas. Fui até lá, mas no meio do caminho havia uma senhora que limpava o chão, com esses escovões enormes, que impedem a passagem. Fiquei parada, esperando-a terminar seu serviço, quando um jovem casal, mais impaciente do que eu, “pulou” a vassoura da mulher, esbarrando nela. ( o espaço era pouco). Consegui ouvi-la dizer, entre os dentes, bem baixinho: “passa por cima!”. Não parecia enfurecida, apenas triste. E seguiu sua limpeza, sem tirar os olhos do chão. (eu seria capaz de escrever um conto só sobre esta mulher...)
Fiquei com uma vontade enorme de brigar com o senhor dos vasos e de dar um abraço na moça da limpeza, e dizer: “ ei, eu tô te vendo, você não é invisível!”. Mas não fiz nada disso. Apenas parei para tomar um café , contei a história ao marido e voltamos para casa, reclamando do quão difícil é o mundo. E voltamos para o nosso mundo de plantas e outras coisas afetivas e apaziguadoras. 


(Aqui dentro de casa, o mundo é perfeito.)




2 comentários:

newlaurel disse...

Vanessa que pena que nem todos são como você. E que bom que você tem alguém com quem dividir esses momentos de "raiva".

newlaurel disse...

Vanessa que pena que nem todos são como você. E que bom que você tem alguém com quem dividir esses momentos de "raiva".