quinta-feira, 21 de novembro de 2013

50 minutos

Passei o dia todo em um evento do trabalho. Uma sala de convenções em um hotel, num bairro cheio, comercial e nobre. Muitos desconhecidos, inclusive grupos de fora da cidade, que estavam hospedados ali. Na hora do almoço a "mestre de cerimônias" anuncia que há um grande shopping perto, onde pode-se encontrar bons restaurantes. A multidão segue na direção indicada. Eu sigo pelo lado oposto.
Sabia que ali perto havia uma livraria. Pensei que talvez pudesse ficar lá, escondendo-me um pouco de olhares, cumprimentos e palavras. Um cantinho onde eu pudesse simplesmente calar e sentir. Não sabia ao certo como chegar lá e saí andando meio que instintivamente pelas ruas, até que após um ou outro engano, a encontrei. Sorri quando a avistei, tal como uma criança ao se ver diante de uma roda gigante. 
Entrei.
Era hora do almoço, mas a livraria estava vazia. 
(Respirei aliviada.)
Andei por todos os corredores, percorri prateleiras, percebi o quanto ando desatualizada com os lançamentos e folheei muitas páginas para sentir o cheiro de livro novo. Não havia mais ninguém, além de mim. Eis que surge um velhinho, desses com cara de que frequenta a livraria todos os dias. O senhor cumprimentou o rapaz do balcão pelo nome, pegou um livro e sentou-se numa poltrona para degustar sua leitura, como se estivesse na sala de sua casa.
Mal percebi quando o horário de almoço terminou. Era hora de voltar ao mundo real. Reencontrar os "passeantes" do shopping, ouvir suas histórias sobre comidas, lojas e natal (o que mais se encontra num shopping esta época do ano?).
E eu nada tinha a contar. Havia somente lidado com silêncio e um velhinho absorto em sua leitura.
Hoje eu fui muito feliz, ali, naqueles 50 minutos, naquela livraria.