sábado, 9 de março de 2013

A orquídea e a cidade

Início da manhã. Como habitual, acordo atrasada. Entro em um táxi e peço que me leve pelo caminho mais rápido. "Ô moça, o trânsito tá ruim todos esses dias, não tem muito jeito...". Sou obrigada a concordar e penso no quão difícil tem sido viver em uma cidade grande: correr é o nosso modo de andar por aqui. Tudo precisa caber em um único dia, que começa bem cedo e só vai terminar tarde da noite e, obviamente, ainda ficam coisas por fazer. Esta mesma cidade que nos permite, tanto nos aprisiona em seus prédios, avenidas e engarrafamentos....
Segui tomada por estes e outros pensamentos do gênero. Quando entramos na principal Avenida da cidade, noto a irritação do taxista com um carro de passeio que vai a frente, em um ritmo bem mais lento, tão lento que prejudicava de forma drástica o fluxo dos demais veículos. "Que absurdo, como uma pessoa dessas pode dirigir em uma capital?". Como estava atrasada, concordei, irritando-me também. Assim que foi possível meu condutor corta e o ultrapassamos. Olho para o lado e entendo o motivo de tamanha vagarosidade: no carro, apenas um motorista. No  banco do carona e no banco de trás várias orquídeas brancas. Uma flor tão frágil jamais resistiria a velocidade e aos solavancos da cidade na hora do rush! "Ah, são orquídeas, tão delicadas, é por isso que ele está tão devagar!", disse. Suspirei e me senti envergonhada por, há poucos minutos atrás, ter tido raiva do veículo lento a minha frente. Ele tinha todo o direito de ser assim: carregar orquídeas e protegê-las, garantindo a chegada segura ao destino definitivamente não é tarefa para qualquer um. Nós resistimos a sol, chuva, atrasos, corridas, trancos, fome, frio, sede, cidades lotadas e toda uma vasta gama de adversidades e desvairios . As orquídeas não. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Bilhete de abrandamento.

Oi, tudo bem?

Faz um tempo que não nos falamos. Sei que tudo parece meio difícil por aí, mas por cá os ventos tem também soprado forte ultimamente. E é por isso que escrevo: para dizer que ainda que tempestades passem por aí ou por aqui, nós prosseguiremos. Cada qual em sua estrada, cada qual a seu modo. Ainda que invisível, volátil e impreciso, não importa. As grandes coisas da vida não podem mesmo ser vistas pelo nosso deficitário olhar, instrumento frágil e pouco refinado. Mas tem certos poréns, certos tais, que conseguimos bem entender, e eu sei, tanto quanto você, que somos capazes de senti-los. 
Só preciso que você esteja aí. E eu prometo, daqui não sairei.

Um beijo.