sábado, 30 de junho de 2012

Os atendentes do Mc' Donalds também amam.


Uma noite dessas estava eu perambulando pelas ruas do centro. Eis que noto um casal, ambos com o uniforme do Mc' Donalds. Ela, sentada em uma mureta, encostada apoiando-se na parede de um edifício comercial. Ele, deitado com a cabeça no colo dela, com o boné nas mãos. As pessoas na rua passavam apressadas e pareciam não notá-los - de fato o casal estava em um canto escuro, não era tão fácil percebê-los. Mas não sei ao certo porque, eu os notei. Sentei em um banco próximo para observá-los. Pareciam cansados, imaginei que tivessem servido batatas-fritas em uma velocidade alucinante o dia todo. Ele quase que dormia com os afagos dela, mas estava atento ao que ela lhe dizia. Ela o olhava, de forma muito carinhosa e falava bem próximo ao ouvido dele, curvando-se bastante para tal. 
(Palavras de amor, presumi.)
Foi só mais uma cena banal , que parece ter pouca importância: dois trabalhadores que se juntam ao final de um dia para se amarem, para compartilharem algum tempo juntos, numa noite fria, em um dos pontos mais centrais e movimentados da cidade. Enquanto carros e pessoas corriam por todos os lados, eles não pareciam ter a menor pressa. 
Achei a cena bonita e curiosa. Peguei-me pensando que até mesmo os atendentes do Mc' Donalds amam. 
Ah se todo o mundo pudesse aplaudir aquela cena.....
(Eu aplaudi, mas o fiz silenciosamente.)
E segui meu caminho, pensando que o amor é mesmo um "trem" muito bonito.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Aonde eu termino, começa você.

Quando me permito desaparecer é que consigo te enxergar. Nos cantos, nas esquinas, numa letra de música. É ali, nas horas silenciosas, no escuro da sala, no tic-tac do relógio que consigo lhe ver. Ou somente sentir, tanto faz. É no vazio dos segundos e no ardor da ânsia da ausência que sei que você está aqui. Quando o vento sopra as cinzas e as folhas secas caem ao chão eu te percebo. Quando escuto um grito, ao longe, que sequer vem em minha direção eu posso quase te tocar. Nas madrugadas eu fecho os olhos e consigo atravessar o profundo dos teus.
 Aonde eu termino, começa você. 

domingo, 24 de junho de 2012

Palavras de domingo

Eu deveria estar escrevendo agora, tenho uma série de textos a entregar (acadêmicos). Mas estou aqui, escrevendo sobre o nada, sobre qualquer coisa. E cogitando seriamente a possibilidade de voltar para a cama.
Não trata-se de um problema grave ou qualquer rejeição a tarefa que a mim foi destinada. É só um certo cansaço mesmo. Vontade de utilizar o tempo com coisas mais minhas e menos dos outros, vontade de me desfazer de regras e protocolos. E daí penso que tenho tanta coisa ainda por fazer, mas ao mesmo tempo, tenho que me curtir, "me viver". Senão a vida passa, eu cumpro uma série de etapas pré-concebidas, mas não mais me reconhecerei como parte disto.
Eu não preciso me encontrar, eu ainda não me perdi. Só preciso cuidar para que eu esteja aqui, todos os dias. E que eu escreva quando tiver o desejo de fazê-lo, e não por obrigação. 
Assim como parei tudo e vim até aqui, escrever estas palavras. 
Assim como vou voltar para a cama. 
O resto pode esperar. 
Eu não posso. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sobre mulheres e mulheres - Parte 2.

Ontem logo depois de escrever pus-me a pensar na pergunta: "Que raios de mulher eu sou?"
Já me angustiei inúmeras vezes ao pensar que não sou daquelas que defendem bandeiras ou lutam por seus direitos. Não sou filiada a nada, nem entendo deste tipo de coisa. Sou uma autêntica alienada e o mais grave, por opção.

Teve uma época da minha vida em que eu decidi que não mais assistiria noticiários na TV. Só notícia ruim! Preferia utilizar este tempo com um filme, sonhando, lendo ou fazendo qualquer outra coisa que me tirasse da realidade. Aos poucos a coisa foi se agravando e eu parei também de ler jornais e revistas especializadas. Perdi a vontade, não tenho interesse, não gosto, acho tedioso. O mundo é cansativo e eu não preciso saber disso informando-me mais ainda sobre o que eu já sei: alguma guerra em algum canto do planeta, assassinatos, violação aos direitos humanos, corrupção, crise política, algum time ganhou, outro perdeu, alguém famoso que morreu ou está no hospital e ao final, uma notícia de esperança qualquer.  Já conheço o roteiro, sei como é. Não tenho necessidade disso todo dia, definitivamente. Por isso é tão comum as pessoas ficarem estarrecidas quando não sei fatos do cotidiano do mundo. 

Dentro de todo essa mafuá de ideias alienadas, tentei então encontrar-me. E, pensando, concluí que eu não nasci mesmo para nada grandioso. Eu não sei mudar o mundo, nem pretendo fazê-lo. Não nasci para movimentos bruscos, nem para revoluções. Não viveria na anarquia, nem nunca me aproximaria de política ou qualquer outra coisa que se assemelhe. O que eu gosto mesmo, e sei fazer, é tentar mudar a vida de "poucas gentes". Eu gosto é do um a um, de cada sujeito, de cada massa corpórea que vaga por aí, pela vida. Seres que são tão diferentes entre si e carregam sofrimentos tão parecidos, ou não. Eu gosto é de tocá-los, seja como for, seja como der. E se uma palavra ou gesto meu puder trazer um pouco de alívio eu  sinto que já fiz minha revolução. 

E eu faço várias revoluções, todos os dias. Só que ninguém vê. Ela não é noticiada na TV, nem nos jornais, tampouco ganha as ruas em forma de passeata.

"A pessoa é para o que nasce", já dizia o título de um documentário sobre três irmãs cegas. Pois é. Eu nasci para coisas bem pequenas, etéreas e não palpáveis. Eu nasci para o invisível. 


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sobre mulheres e mulheres.

Acabei de ver na TV uma matéria sobre a Marcha Mundial das Mulheres no contexto do evento Rio+20.
Meninas, jovens e senhoras dando depoimentos sobre a causa. Uma delas, uma idosa aparentemente já bastante cansada, disse que veio do Rio Grande do Norte só para participar do evento.
E neste exato momento, estava eu, sentada no sofá, com uma taça de vinho na mão.

E volta a velha questão: que raios de mulher sou eu?

Eu posso até ter senso crítico e parar para pensar sobre, mas e daí? O que eu faço com isso? 

Por mais que eu as admire, por mais que ache a causa nobre, eu nunca serei como elas. Não porque eu não seja capaz (eu acho), mas pelo simples fato de que eu não quero. Na matéria uma autoridade importante (que nem imagino quem seja) pedia mais espaço na política e economia para as mulheres. E eu pensei: eu nem sei se quero isso. Eu nem sei o que faria com isso. Eu não entendo nada disso, nem quero entender, isso tudo é muito chato....

Por ora eu só queria achar mais horas no meu dia para viver coisinhas pequenas! Detalhes tão irrelevantes para o mundo, mas tão cruciais para mim! (cozinhar, plantar, pintar, dançar, ler, escrever, passear na praça, brincar com meus gatos, ficar com os amigos, com os familiares, com todos os que amo, assar um bolo, ir ao cinema no meio da tarde, passar café todos os dias, balançar na rede empurrando-a com os pés contra a parede, etc e etc.....)

Sim, eu admiro e respeito profundamente todas as mulheres que querem e vão mudar o mundo. Mas eu não sou uma delas. Sou apenas aquela figurante que passa pela calçada, observando. E corre para casa, em seguida, para degustar um vinho e pensar no quanto o mundo é um lugar complicado.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Como planejar o futuro, por uma adulta.

Li por aí que a noite do reveillon ditará como será o resto do ano. Pois bem, este ano estou super hiper mega afim de me presentear com um reveillon muito foda, FORA de BH.

Daí como boa crente que sou ( :P)  resolvi fazer a contabilidade dos meus últimos reveillons e analisar como se deu o ano seguinte. Assim, dependendo da "tabelinha" será possível tentar prever o melhor destino para a virada de 2012-2013

Voilá!



2002-2003
Aonde: Rio de Janeiro, Praia do Recreio. (Joguei palmas para Iemanjá)
Como foi o ano de 2003: Um saco. Faculdade apertando, eu já sem a menor paciência. Iemanjá não é a melhor divindade, isso é certo!

2003-2004:
Aonde: ?????
Como foi o ano de 2004: Um ano lindo! Eu formei, finalmente!  Adiós UFJF!!!!

2004-2005
Aonde: Juiz de Fora, cobertura de amigos, festa para 05 pessoas. (Sim, cinco!!!!). Cantei Madonna e Cindy Lauper no videokê como se não houvesse amanhã!
Como foi o ano de 2005: Um dos anos mais lindos! Mudança para o Rio! Fiocruz! Praia, calçadão, ziriguidum!

2005-2006
Aonde: Rio de Janeiro, com uma penca de gente, não me lembro o nome de seis.
Como foi o ano de 2006: FODA! Entrada no Mestrado e a descoberta de que o Rio era bem mais que turismo! Lapa, arpoador, becos, esquinas e gente estranha!

2006-2007
Aonde: Juiz de Fora. com um povo. (Acho que cantamos "we are the champions" na virada)
Como foi o ano de 2007: Um ano muito louco. Amigos para uma vida, novos caminhos, aprendizados, cortes, definições. (2007, eu me orgulho de você!!!)

2007-2008
Aonde: Juiz de Fora, com  mãe e irmã, na janela de casa, vendo os fogos no morro do cristo e tomando champagne vagabunda.
Como foi o ano de 2008: Trágico. Mudança repentina para BH. "Perdida na selva"

2008-2009
Aonde: BH
Como foi o ano de 2009: Pior que 2008

2009-2010
Aonde: BH
Como foi o ano de 2010: Menos pior que 2009

2010-2011
Aonde: BH
Como foi o ano de 2011: Pior do que todos os outros em BH, exceto o 2009.

Depois do "apanhado", consegui tirar as seguintes conclusões:

1) Juiz de Fora é curinga. Reveillon lá pode significar um ano imprevisível. Tô ficando velha e querendo mais previsibilidade na vida!

2) Rio é pé quente, o negócio é não jogar nada para Iemanjá! (N-A-D-A)

3) BH é fria. (Como este ano foi na "Grande BH" ainda não dá prá saber)

4) Nunca tomar champagne vagabunda. Zica na certa!


Agora tô avaliando se é o caso de "incrementar" minha análise histórica com um mapa-astral ou visita a algum pai de santo.Agora tenho 31 anos e acho que é hora de ser mais adulta e pensar no futuro!





terça-feira, 12 de junho de 2012

É big, é big...é hora, rá, tim, bum!



Sim, é hoje meu aniversário! E mesmo quase sempre sendo uma pessoa mais aborrecida, neste dia costumo ficar "mansa". E na hora do "vamo ver" eu até gosto!


Hoje eu quero bolo, abraços, velas para soprar!
Quero comemorar e viver! 
E eu escolhi o tema deste dia:




"Pode falar que eu não ligo,Agora, amigo,Eu tô em outra,Eu tô ficando velha,Eu tô ficando louca.

Pode avisar qu'eu não vou,Oh oh oh...Eu tô na estrada,Eu nunca sei da hora,Eu nunca sei de nada.

Nem vem tirarMeu riso frouxo com algum conselhoQue hoje eu passei batom vermelho,Eu tenho tido a alegria como domEm cada canto eu vejo o lado bom."











Parabéns prá mim!
:-)



sexta-feira, 8 de junho de 2012

Aos 31

Há um ano atrás eu fiz um post falando das minhas frustrações ou sei lá o quê com a chegada dos 30. Para não cair na mesmice e agora, aos quase 31, utilizar mais um post esbravejando contra o mundo e mimimi, decidi fazer diferente. Desta vez vou simplesmente agradecer a Deus tudo o que conquistei nestes 31 anos de vida, agradecer todas as alegrias e coisas lindas.....(blablabla whiskas sachê)

(Rará!!!!! Mentirinha!!!!)

Não, não vou agradecer nada. Se eu conquistei qualquer coisa foi por mérito próprio, porque ralei e ralo horrores e porque soube lidar - ainda que com muita dificuldade - com todos os desvairios que este mundo insano me impôs. Porque consegui acordar a cada dia e ainda que , por vezes, querendo matar ou morrer, achar algum mísero sentido na vida. Porque sou uma pessoa relativamente boa (há controvérsias, tô ligada!) e mereço! Sim, eu sou foda! (mais uma vez há controvérsias e eu continuo ligada!)

Não tô lamentando nada, tampouco reivindicando. Tô apenas deixando claro que agora, aos 31, continuo com poucas certezas na vida, mas se algo a idade me trouxe foi a convicção de que é isso mesmo, de que nada cai do céu e que se eu hoje tô aqui, exatamente do jeito que eu estou, foi pelo simples fato de que eu trilhei o caminho. Sozinha, por livre e espontânea vontade. Se algo está bom ou ruim, o crédito é todo meu. O mundo é uma droga, eu sei, mas eu nunca fui muito melhor do que ele, nem do que ninguém. 

Chego aos 31 achando o mundo chato, a grande maioria das pessoas desinteressantes e continuo muitas e muitas vezes me perguntando o que raios estou fazendo aqui. Mas o problema é meu, somente meu. 

Sim, estou ficando velha e ranzinza!

Já posso partir o bolo?


domingo, 3 de junho de 2012

Olhos de ressaca.


Por vezes me parece necessário pisar um pouco no freio. Ontem, pela primeira vez na vida, desembarquei no aeroporto Santos Dumont dormindo! Acordei quando o avião tocou o solo e perdi a vista do nascer do sol que considero um dos mais lindos do mundo. Antes eu já havia dormido numas poltronas confortáveis que colocaram agora no aeroporto de Confins e em todo o trajeto do ônibus que me levou até lá. 
Sim, eu dormi e perdi trechos da vida.

Cumpri minhas tarefas de trabalho e segui para visitar parentes que me encheram de uma energia tão boa que não consigo explicar. Foram poucas horas ao lado de pessoas que tanto me deram afeto que saí de lá como se estivesse de alguma forma "recarregada". Enquanto aguardava o vôo de volta para BH, novamente no Santos Dumont, senti uma coisa tão gostosa! Sensação de amar e ser amada, de pertencimento. No trajeto de volta, já desperta, pude deliciar-me com um céu aquarelado emaranhado em tons alaranjados, azuis e vermelhos e me senti passeando delicadamente em uma tela em construção. Cheguei ao lado da lua cheia mais encantadora dos últimos tempos. 
Perdi o nascer do sol, mas não a sua morte!

E chego em casa a noite, depois de um dia de aeroportos, trabalho, encontros e cores. Sento-me no sofá e fico ali, imóvel, por um bom tempo. Meus gatos se aproximam e se aninham, um em cada lado. Permaneço em um estado contemplativo, como se eu estivesse me "desligado" por algum tempo. Pensamentos frouxos, que vão e vem devagar. Olho para o vazio. E ali fico por quase uma hora. Levanto-me, vou ao espelho e não gosto do que vejo. Meus cabelos estão despenteados, meu rosto com ar cansado e meus olhos... ah, meus olhos! Estão estranhos, entediados ,vagos, interrogativos. Não sei...
Lembro-me de quando me disseram, uma vez: "Você não é Capitu, mas tem olhos de ressaca!"
E eu quis saber o por que. 
"É como aquela onda cava e profunda que ameaça avançar e tudo tragar".

(....)