terça-feira, 29 de maio de 2012

Terceira Lei de Newton

Cheguei em casa com vontade de escrever. Liguei o computador, abri a tela do word e esperei. Nada aconteceu. As ideias fugiram todas de uma só vez e os pensamentos. que antes fervilhavam em minha cabeça , tomaram rumo ignorado. Fico encarando a folha em branco por alguns minutos. É como se ela me perguntasse: "E aí, Vanessa, o que é que você tanto quer dizer?" Não sei o que responder. Dou-me por vencida e fecho o notebook.
Vou até a cozinha, preparo um chá e afago meus gatos. Na televisão o noticiário fala sobre algum assunto que não me interessa, mas que certamente é importante para a nação, dada a seriedade com o qual a informação é transmitida. Passeio pelos meus livros na estante com os olhos, nada me atrai. Retorno para a folha em branco, que me encara sem vacilar. Sinto-me inquieta e desejosa de enchê-la de palavras, mas elas simplesmente não surgem. 
Relembro fatos do dia, vivências, sensações. Nada acontece. Permaneço no mais completo marasmo: eu e uma folha em branco de word. E então percebo que, em meu peito, algo está diferente: uma espécie de chacoalhar, como se dentro dele estivessem neste momento movendo-se em direções opostas e em altíssima velocidade turbilhões de rajadas de vento. É confuso, é denso, é instável. E a cabeça, por sua vez, segue vazia, em um silêncio assombroso.
Concluo então que meus pensamentos, habitualmente acelerados e caóticos, fugiram e resolveram esconder-se, hoje, dentro do meu peito. Deixaram-me meio abobalhada e com a sensação de que aqui dentro bate um tambor, não um coração. E eu não faço a menor ideia de como se faz para corrigir este desvio de rota.



domingo, 20 de maio de 2012

Nota sobre aquilo que eu desconheço.

Tem coisas que a gente entende, vê, nomeia e classifica. Existem, no entanto, elementos fugazes de sensações e apreensões que são fugidias e imprecisas, motivo pelo qual tornam-se inomináveis. 
O que fazer com toda essa "carga flutuante" que insiste em permanecer dispersa por aí?
Se eu soubesse a resposta talvez escrevesse um livro de auto-ajuda, um "best-seller". Ou talvez simplesmente utilizasse a técnica para mim mesma e ignoraria o resto do mundo. 
Enquanto não encontro a saída (se é que ela existe!), limito-me a vir aqui escrever esta breve nota sobre aquilo que eu desconheço. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dias assim.


Porque tem dias em que não há mesmo salvação.
Olho para os lados e só me deparo com gente desinteressante. Pessoas que nada tem a me acrescentar, pessoas para as quais nada tenho a oferecer. Todo um mundo de mesmice se impõe e a estupidez impera. Me pego pensando em tudo isso e penso: que preguiça disso tudo, que preguiça desse mundo, dessas pessoas e de mim mesma!
As vezes dá vontade de gritar, de sair correndo, de pedir socorro. Mas para quem? E por quê? 
Para que corro tanto? Aonde quero chegar? Quem são estes humanos que dividem o planeta comigo? 
Busco nas palavras algumas respostas mas elas por vezes me confundem mais ainda.
E dia após dia concluo que a mediocridade é a regra. Regra para tudo e todos, inclusive para mim, que deveria estar fazendo algo produtivo agora ao invés de estar aqui vomitando estas palavras.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

E se?

Será que era prá ter feito isso mesmo? E se eu tivesse mudado de ideia antes? E se eu tivesse simplesmente mudado o rumo? E se eu tivesse permanecido no mesmo lugar?
Será que eu estaria mais feliz do que agora?
E se eu não ousasse? E se eu escutasse a opinião de outros? E se eu tivesse decido na sorte?
Será que eu estaria aqui?
E se eu tivesse jogado aquele papel no lixo? E se eu simplesmente tivesse esquecido? E se eu ignorasse?
Será que eu teria sido capaz?
E se eu não tivesse corrido atrás? E se eu escolhesse outra coisa? E se eu não quisesse mais nada do que queria até então?
Será que me achariam louca?
E se eu voltasse atrás? E se eu largasse tudo o que agarrei? E se eu sumisse?
Será?
Interrogações, por favor, me deixem dormir. Pelo menos esta noite.
Obrigada.

terça-feira, 8 de maio de 2012

As sobras de cada um


Algumas pessoas passam pela vida de forma contida. Pisam devagar, para não fazer barulho, não serem notadas. Outras parecem saber a medida exata e transitam de forma adequada pela própria história. Um terceiro grupo é simplesmente incapaz de passar sem fazer estardalhaço, sem deixar rastro  e cruzam a vida como quem quer fazer chacoalhar tudo ao redor. (Como um elefante passeando em uma loja de cristais)

Eu, infelizmente, pertenço ao último grupo.


São sujeitos que eu nomearia como “transbordantes”. Indivíduos que tem tantas inquietações e desejos – obscuros ou não – que não há como não fazê-los “sobrar”. E é justamente este conteúdo que vai através dos limites do eu que nos dá esse ar de excesso. É como se tudo o que vemos, sentimos, apreendemos e etc. e tal não coubesse dentro do corpo. Daí a necessidade de jogar para fora aquilo que resta, que não cabe em lugar algum. Simplesmente não há espaço!


E é nesse processo de fazer sair o excesso que cada um vai encontrando seu caminho na vida.

O que eu faço com as minhas sobras? Depende. Tem dia que eu bebo, me descabelo, ando por aí sem rumo. Tem dia que escrevo, afundo-me em um filme ou um livro ou fico horas olhando para o teto, pensando. 


Mas hoje eu fiz brigadeiro.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Não, não é nada demais.


Sinto-me como se um trator tivesse passado por cima de mim. Febre, dores, mal-estar. Tentei resolver por auto-medicação, não funcionou. Por fim procurei um hospital e agora estou medicada corretamente. Repouso, antibiótico, xarope, analgésico, água. E dois gatos quentes e peludos zelando por mim.
Quando criança recebia os mais doces e dedicados cuidados quando adoecia. Mãe, avô, avós....todos ao meu redor, com preocupação. Recordo da única vez na vida em que me submeti a um procedimento cirúrgico: retirada das amigdalas, aos 04 anos de idade. Lembro-me do hospital, do meu quarto, dos presentes, dos sorvetes e das visitas. Lembro-me dos enfermeiros que me levaram  para a sala de cirurgia na maca e da minha mãe dando adeus, chorando, no corredor.
Depois que virei “adulta” e fui cuidar da minha vida – entenda-se, quando mudei de cidade pela segunda vez - perdi boa parte deste “suporte” que tanto me confortava em momentos frágeis. Daí recordo-me da minha primeira noite sozinha na observação de um hospital. Minha mãe estava a quilômetros de distancia e eu não queria incomodá-la, muito menos assustá-la. Só consigo me lembrar dos enfermeiros perguntando: “Você está sozinha?”, e eu, respondendo: “Sim, estou”.
É, eu estava sozinha. E desde então, por diversas vezes em que adoeci, propus-me a resolver tudo deste modo. Sempre entendi que por melhores amigos que eu tivesse, lidar com estas questões tão chatas seria um problema meu, não deles. Acho que o que eu precisava mesmo era ter de novo 04 anos e receber os afagos da minha mãe. Mas hoje, quando ela me ligou, eu só consegui dizer que sim, que estava tudo bem. Um pouco rouca, é verdade, mas era só isso, nada demais.
O que eu deveria ter feito? Não sei....mas a vontade era de gritar: “Mãe, vem prá cá, eu preciso de você, preciso que me faça cafuné, me ponha no colo, me dê remédio e diga que tudo vai ficar bem.” Mas não o fiz. E agora estou aqui, entre comprimidos e chás, entre edredons e gatos, pensando que as vezes a maturidade só serve para nos deixar um pouco mais estúpidos e solitários.