sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal!

Chegou o Natal. Preguiça....

Gosto da reunião de pessoas queridas, de rever amigos e comemorar, seja lá como for e pelo motivo que for. Não entendo que esta comemoração toda deva ocorrer em cima de um fato histórico/bíblico e nem somente uma vez ao ano: fato este que envolve velhinhos barbudos com roupas para eras glaciais, renas, pinheiros e chaminés. Fico achando tudo um grande teatro que em nada representa a nossa cultura. E para além disso fico pensando no caráter comercial que o Natal ganhou: ceias caras, presentes e mais presentes. As famílias que não tem recursos simplesmente ficam a margem de toda uma festa que deveria propagar valores cristãos. Ahn????

PÁRA TUDO! Algo está errado!!!

Adoro reuniões e comemorações com pessoas queridas! Mas não entendo que deva existir uma data certa para que ocorram, nem que seja necessário banquetes. Um pão com ovo na companhia dos que amamos é genial! Presente? Sim,quem não gosta? Mas gosto mesmo é da idéia de bater o olho, ver algo e pensar na pessoa. Ou melhor ainda: fazer artesanalmente algo para o outro (capacidade que admiro, porém não tenho). Os presentes mais lindos que já ganhei por vezes foram simples demais. E ao meu ver, a carga de afeto embutida no ato de presentear é o que dá todo o valor do presente em si.

Seguindo a tradição cá estou eu com a família, em voltas com peru, grão-de-bico, castanhas, amêndoas (!!), e uma infinidade de especiarias sem fim. Tem árvore de natal decorada e papai-noel. E temos a tradição de ceiar a meia-noite.

De tudo isso o que mais me agrada é a idéia de sentar-me a mesa com os que amo, dividir o que quer que seja e conversar....simplesmente. Trocar afeto!

E é isso que farei hoje!

Um Feliz Natal a todos!




Always look the bright side of life... thcuru, tchuru, tchuru, tchuru...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 3) - A NOITE, A MADRUGADA, A PARTIDA....

Anoitece em Diamantina.
Conforme recomendado pela minha amiga (e fiel escudeira de vida) Fran, segui para A Baiúca para um chopp. Levei comigo o livro do Rubão. Cheguei ao fim da tarde e fiquei na área externa lendo e observando os passantes. Ao cair da noite toda a chuva que não caiu durante o dia despencou do céu com força total, obrigando todos os frequentadores a se aglomerarem no espaço interno. Eu que já estava meio que de partida acabei tendo que ficar por lá tamanho o dilúvio! E não cessava, não diminuía, nada. Resumo da ópera: Só consegui sair de lá meia-noite. A parte boa é que fiquei bebericando conversando com um senhor diamantinense  super gente boa! Ah, com o garçom (Alisson) e com a moça da lojinha de presentes do Beco da Tecla (Poliana) também!

 Boa Tarde Diamantina!

Boa Noite Diamantina!


Cheguei a pousada e fui recebida por Sidnei, o recepcionista noturno. Soube então que eu tinha uma garrafa de vinho de cortesia da pousada. Opa! Vamos beber então. Havia mais um amigo do Sidnei presente e ficamos os três, tomando vinho e proseando até alta madrugada, na varanda da pousada, enquanto o céu continuava a desabar lá fora. Como o vinho não bastou ganhei mais duas garrafas de cortesia....rs

Noite na varanda: vinho e papos sem  fim. Isto é Minas Gerais!


Acordei cedo, obviamente com uma dor de cabeça osso! Daí a fofa da Dona Lourdes me ajudou e fui medicada! Conheci alguns hóspedes novos no café e presenteei um casal com o mapinha de Diamantina que eu havia ganhado ontem.

Dona Lourdes: uma das figuras humanas mais lindas que conheci em Diamantina!


Preparo-me agora para deixar a cidade. O que dizer, o que pensar? Diamantina é uma cidade linda, com pessoas extremamente encantadoras! Tantas pessoas lindas cruzaram meu caminho aqui e eu também cruzei o delas. Isso faz com que eu me sinta viva.
Isso, para mim, é felicidade.
De volta a BH. A saudade apertou!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 2) - A TARDE

Meio-dia o sinou tocou! Sino, meu Deus!!! Sino! :D

Voltei a cafeteria/livraria da manhã para almoçar. Comi um caldinho de feijão com torradas divino! Enquanto esperava o pedido, peguei o jornal "Hoje em Dia", disponível para os clientes e qual não foi minha grata surpresa ao ver que uma das principais matérias era a celebração dos 95 anos de Manoel de Barros, um de meus poetas preferidos (só perde para o Drummond!!!). 

Teve bom!!!!

No cafézinho pós-almoço começo uma prosa com um casal na mesa ao lado. Conheço então Adna, professora de Letras da UFJVM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (que eu nem sabia que existia)e seu acompanhante, um professor de Antropologia do qual não me recordo o nome. Para meu deleite Adna é profunda conhecedora de Rubem Fonseca e contou-me sobre trabalhos acadêmicos de Mestrado e Doutorado que abordam a obra do Rubão. MORRI!

De lá subi uma ladeira imeeeeeensa para chegar ao Largo Dom João, próximo a rodoviária. É lá que tem a antiga estação de Diamantina, que hoje abriga um quartel do Corpo de Bombeiros. Fiz algumas fotos, mas voltei logo para o centro. De fato é aqui que está a parte legal da cidade. 


ps: Na praça do Largo Dom João tem um presépio e enfeites de Natal todos feitos de garrafa Pet. Achei a idéia nobre demais, mas confesso que tive um pouco de medo do boneco de neve! Se eu acordo de noite e olho um bicho desses eu num sei não...

Hey crianças, eu vim roubar a alma de vocês, digo, vim falar do espírito natalino!

Refiz alguns trajetos da manhã, voltei em lojas para comprar lembrancinhas para o natal. Parei na Associação das Artesãs de Diamantina. São em média 40 mulheres que sustentam suas famílias com o artesanato e cobram por eles um preço muito justo. Lá aprendi um pouco mais sobre a história de Diamantina e sobre as festas locais, em especial as Vesperatas. Fecha-se a Rua da Quitanda e músicos tocam das sacadas dos casarões. De lá segui para a Casa do Muxarabiê. Trata-se de uma casa que abriga a Biblioteca Antônio Torres, um diamantinense ilustre que foi   sacerdote e depois foi expulso por escrever textos contra a Igreja (Já ganhou meu coração!). Nesta casa conheci a simpática historiadora Ederlaine. Lá na casa eles ofertam através do IPHAN um curso de restauração de livros, algo que sempre tive vontade de aprender. Minha gentil companhia da maior parte da tarde (fiquei quase duas horas lá..) contou-me sobre a história da cidade, de Xica da Silva, do próprio Antônio Torres e sobre os tempos da escravidão. Por fim ficamos pesquisando nos livros históricos sobre Barroco e Rococó. Ederlaine me disse que tem um distrito de Diamantina chamado São João da Chapada que abriga uma região nomeada de "Quartéis do Indaiá", área quilombola que ainda preserva suas tradições. Fica a dica para a próxima vez que eu voltar. 
Quando ia saindo achando que já tinha visto tudo o que poderia ver, Ederlaine mostra-me o Muxarabi. Trata-se de uma janela em estilo árabe, na sacada da casa, que tinha como principal objetivo permitir que as mulheres pudessem olhar a rua sem serem vistas. Os homens ficavam na varanda principal (expondo a figura sem dó nem piedade) e as mulheres somente podiam ver o mundo externo pelo Muxarabi, que lembra a própria estrutura da burca. Soube então que este é o último Muxarabi original do Estado de Minas.

Muxarabi, paraíso dos Voyeurs, pesadelo dos Exibicionistas!

É, a vida das mulheres daquela época devia ser mesmo bem sofrida....
O tempo firmou a tarde e quase nem pingou. 
Já no finalzinho da tarde voltei a Pousada para uma pausa nas andanças. A noite vou seguir a recomendação da minha amiga Fran e dar um pulo na Baiuca.
Amanhã retorno a BH....que pelo que tenho acompanhado segue debaixo d`água.

Da arte de sair por aí (Parte 2) - A MANHÃ

Manhã em Diamantina. 

Desci para tomar o café e o dia já começou bem demais. Conheci a simpática Lourdes, a cozinheira da pousada. O café que seria um episódio burocrático do dia tornou-se num grande evento: por fim convidei-a a sentar-se comigo. Ficamos quase uma hora de papo...Lourdes contou-me sobre sua vida em Diamantina, do desejo de ir viver em Belo Horizonte, dos filhos, da família...escutei lindas histórias de uma Diamantinense! (Ela agora me chama de "a moça comunicativa de Belo Horizonte"...ahahaha)
Saí andando pela cidade, sem rumo. Passei por Igrejas, casarões e os becos tão bonitos desta cidade. De repente verifico que estou de volta em frente a Catedral, que havia sido mais ou menos o meu ponto de partida. Vejo então um simpático cachorrinho e páro para brincar com ele. Pronto: ganhei um companheiro para minhas andanças matutinas! O simpático cãozinho seguiu-me por TODO o trajeto, sem cansar! E quando eu parava para contemplar alguma paisagem, fotografar ou simplesmente ficar de bobeira observando as pessoas ele parava e deitava-se próximo a mim. Num dado momento eu virei uma esquina e ele ficou para trás. Quando me dou por conta ele aparece, correndo em desespero até me alcançar. Meus olhos se encheram de lágrimas neste momento e ali, eu, uma Igreja velha e um cachorrinho (rua deserta) eu senti exatamente o sentimento que nomeamos como AMOR. 



Consegui um mapinha da cidade na Secretaria de Turismo mas muito em breve descobri que não precisaria dele. A população local é EXTREMAMENTE acolhedora e te ensina e chegar em todos os lugares que você quiser ir. Entrei e saí de várias Igrejas e lojinhas. Até que chego a um beco chamado "Beco da Tecla", com uma livraria-cafeteria DELICIOSA! Um ambiente mais escuro, com bom café, vinhos, panquecas, uma seleção de livros de dar gosto de ver e pasmem, um SEBO  no fundo da loja! Quando vi que eles tinham livros do Rubem Fonseca e a Coleção de fotos da Frida Kahlo da Cosac-Naify entendi que eu estava no meu lugar! Passei um bom tempo ali dentro, lendo e conversando com a moça da cafeteria.



Rubão!  


"Pies, para que los quiero se tengo alas para volar?" - Frida Kahlo  

De lá fui para a Praça JK e sentei-me próxima a estátua do próprio. Começo a conversar com um moço que estava andando pelo parapeito da praça (há uma altura importante entre a borda desta praça e a rua, abaixo). Diálogo desenvolvido mais ou menos assim:

Moço desconhecido: É só uma estátua, moça. O fogo vai vir e levar tudo.
Vanessa: Ah é?
M: É, tá na Bíblia. Você acredita em mim?

(Neste momento meu feeling apita e entendo estar diante de um psicótico....)

V: Bem, se você está me dizendo... mas aqui, você não acha melhor descer daí? Você pode cair..
M: Não caio não, se eu cair eu não morro. Deus me segura, os anjos me seguram.
V: Eu sei, mas mesmo com a proteção deles a gente pode se cuidar também.
M: Nada...eu sou imortal.
V: Hum..saquei...me conta e o que você faz? Trabalha, estuda..?
M: (Silêncio..)... Faço nada não...eu só quero ser de Deus.
V: Mas isso pelo que você me disse, você já é, não?
M: É sou sim (E abre o maior sorriso do mundo)
V: Bem, foi um prazer conhecê-lo, vou andando.
M: Cuidado com o fogo do céu moça, ela chegará em breve!
V: Pode deixar, tomarei cuidado sim. Um bom dia prá você!

Nessas hora eu penso: você está de férias, mas não tem jeito, atrai toda a loucura do mundo para você. Ainda bem que eu gosto disso...

Praça JK - (O moço com quem conversei está de pé no parapeito!)

ps: Quando retornei ele já tinha descido. Gostei de pensar que pode ter sido pela nossa conversa..ou não. Vai saber?....

Retomando....
Gosto tanto que reencontrei o CAPS-Ad (Centro de Atenção Psicossocial voltado para atendimento a usuários de Álcool e Drogas) da cidade (eu já o havia visto ontem a noite, na chegada). Resolvi parar e conhecer o serviço. Fui muito bem recebida pelo Auxiliar Ramon, pelo Enfermeiro Flávio e pelo Psicólogo Francisco José. Flávio percorreu todo o serviço comigo, pude conversar com usuários e meio que participar informalmente de um acolhimento - (Situação em que não sabia-se o que fazer, eu metida fui lá e dei o meu pitaco e pronto! Rá!)

Fim do primeiro round! Retorno a pousada e quem me recebe com um sorrisão? A querida Lourdes!!! "Moça, quer um cafézinho, acabei de passar.."

Muito amor por esta cidade e pelo seu povo!

E que venha a tarde....

domingo, 18 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 1)

Iniciando meu curto período de férias, vim dar umas voltas em uma cidade histórica mineira que ainda não conhecia, Diamantina. Como todas as pessoas com as quais gostaria de dividir este momento estavam ocupadas, enfiei umas roupas na mochila e vim sozinha.
A coisa começou meio esquisita na estrada: 07 horas de viagem!!! (O normal é 04:30). Duas carretas tombadas fizeram com que o primeiro trecho da viagem, até o município de Curvelo virasse uma interminável jornada a 20 km/h. Bem, ok. Eu estava com muitas músicas legais, o livro novo do Rubão (Rubem Fonseca, para os íntimos) e uma paciência de Jó. Mas no ônibus deveriam ter umas 589 crianças e um tal de João tocou o terror a viagem INTEIRA. Mães, pelo amor de Deus, ensinem a seus filhos que não é legal ficar gritando e brincando de carrinho pelo corredor do ônibus a viagem toda!!! (OK, tô parecendo uma tia ranzinza, mas o lance foi tenso, juro)
Enfim cheguei a Diamantina! Parti em busca da minha pousada e é CLARO que eu me perdi. Mas não achei ruim..fiquei um bom tempo andando sozinha pelas ruas da cidade, com minha mochila e debaixo de chuva. Diamantina num domingo chuvoso a noite fica extremamente vazia e melancólica, algo que eu simplesmente idolatro! (Nessas horas lembro de duas amigas queridas, que me consideram depressiva..ahahahaha) Whatever....
Perambulei, perambulei e enfim achei o local! Deixei minhas coisas e saí a andar pelas ruas. Fui atraída por um som de alto-falantes que percebi que vinha de uma Igreja. Entrei e deparei-me com uma missa dessas que acontecem tradicionalmente nas cidades interioranas de Minas. Entrei, sentei-me. Quem me conhece sabe o quanto abomino a idéia da religião, não consigo aceitar que um sujeito que é feito de carne, ossos e vísceras como eu possa me dizer o que Deus quer de mim e como eu devo viver a minha vida. Whatever, again.
Mas eu gosto muito das crenças e da fé, gosto dos símbolos e dos mitos. Acho de uma beleza imensa todas as manifestações de afeto humanas e entendo que na religião elas podem sim fazer-se presente. Fiquei a contemplar a cerimônia, observando as pessoas e as emoções que elas exprimiam enquanto seguiam, absortas em suas rezas o ritual. Conversei ao final com algumas senhoras e recebi um convite para jantar na casa de uma delas (Isso é Minas Gerais....) Talvez amanhã eu apareça com um agrado para retribuir a gentileza...
Achei um único lugar aberto em que era possível comer algo. Passei por lá rapidamente e voltei para a pousada. Peguei o guarda-chuva e fiquei andando pela praça próxima...não havia mais ninguém: Só eu, a chuva, as luzes e as pedras. Senti-me tão plena e feliz neste momento... recebi boas notícias pelo telefone e consegui matar um pouco da saudade dos que estão longe. 
Fechando a noite reencontro nesta pracinha um moço que veio no mesmo ônibus que eu. Ele falava enrolado e estava com dificuldade de entender as "comidas" na parada, ajudei-o traduzindo os sabores para o Espanhol. Tirei NÃO SEI DE ONDE que era um Argentino. Na breve conversa de fim de noite descubro que trata-se de um FRANCÊS! Ele me disse que os amigos tinham ido visitar o Rio, mas ele queria conhecer as cidades históricas mineiras. Achei super bonito e morri de orgulho das Minas Gerais, que fiz questão de exaltar perante o visitante!!!
A chuva continua caindo lá fora e eu acho que ela só compõe o belíssimo cenário deste lugar. Amanhã vou sair de tênis e me perder mais um pouco pelos becos e ruas de Diamantina....
Sou nascida no Rio, criada em Juiz de Fora, moradora de Belo Horizonte. Sou da BR 0-40.
Mas para mim, acima de qualquer coisa, eu sou MINEIRA.
Isso é que o meu coração diz. 
Isso basta né?




"Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem."

(Felicidade- Marcelo Jeneci)

domingo, 11 de dezembro de 2011

O exercício das pequenas coisas.

Enfim, férias.
Férias parciais, uma vez que sigo trabalhando em parte do tempo.
Mas ao menos, agora, ao término de um ano tão cheio e atribulado consigo encontrar um espaço para dedicar-me aos meus pequenos prazeres cotidianos, tão deixados de lado ultimamente. Cuidar da minha casa, esvaziar os armários, arrumar meus livros, cozinhar...coisas tão simples, mas que na minha vida estavam de fato tornando-se artigo de luxo.
Nesta semana vou comprar temperos e  refogar alho na panela, pelo simples prazer dos aromas liberados. Vou comprar novas plantas para a casa e cuidar melhor das poucas que aqui estão. Vou receber pessoas queridas em casa para um café e me perder em conversas sem fim. (Ah sim, vou comprar um bule esmaltado no Mercado Central também!!). Vou rever filmes, assistir novos, ler livros que estão na lista de desejos há tempos e vou aproveitar cada minuto da companhia das pessoas queridas que me cercam. E vou andar por aí, pelas ruas da grande cidade. 
Definitivamente para pessoas como eu a felicidade está no exercício das pequenas coisas!

* FOTO: Frida Kahlo, por Tascha Parkinson .

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Das urgências

Cá estou de volta, as palavras, que tanto me apaziguam! 
Difícil descrever o que foi minha vida neste segundo semestre de 2011. Muitas mudanças, todas juntas, ao mesmo tempo. Tudo muito, muito intenso. Alguns rompimentos, cortes, algumas construções novas e caminhos ainda a serem descobertos. 
Peguei-me pensando estes dias nas minhas urgências. De fato sou uma pessoa urgente e isso já foi-me atribuído em forma de crítica. Analisando com calma, concluo que sou mesmo uma pessoa que vive de uma forma veloz e inteira e não consigo existir neste mundo de outro modo. Voltando ao passado entendo que sempre fui assim. Consigo parar e admirar a beleza de detalhes da vida que são muito pequenos, emociono-me com coisas simples e acho muito bonito a maioria das sutilezas que envolvem a humanidade e toda a sua produção. Mas na minha vida, cabem todas essas "coisinhas" minhas e mais um pouco. Sempre há espaço para mais, sempre quero mais. 
E a vida tem correspondido ao meu desejo. 
E quando não mais corresponder eu revejo o rumo. Só tenho uma certeza hoje: parada eu não fico. 
Eu sou urgente.