terça-feira, 24 de maio de 2011

As palavras e o ar.


         Às vezes eu me sinto cansada. Na verdade, acho que já nasci exausta. Minha mãe relata que fui retirada de seu ventre através de uma cesariana três dias após o esperado, e por este motivo, apresentei uma grande mancha roxa nas costas. Conforme prometido pelo médico, a marca sumiu alguns dias após. Ouvindo este relato penso no quanto lutei para sobreviver: sem ar, em um ambiente que já não era mais tão agradável: sufocando, no escuro, sem encontrar uma luz, sem achar a saída. Sinto pena de mim mesma ao pensar que eu estava ali, tão sozinha e vulnerável, tão próxima da morte antes mesmo de chegar à vida. Meus olhos se enchem de lágrimas e entendo que sou uma sobrevivente, mas eu não gosto de demonstrar minhas fraquezas assim tão de graça para os outros. Então eu escrevo. Confesso ao papel meus medos, meus sonhos e meus desejos e histericamente publico-os em um blog, local devassado em que qualquer pessoa pode ter acesso ao que tento esconder por toda uma existência.
       O legal de escrever é que a realidade mistura-se de forma tão harmônica com a ficção que posso falar tudo sobre mim e ao mesmo tempo nada. Posso criar personagens para contar uma história minha ou posso simplesmente inventar tudo da minha cabeça. Não interessa. Eu boto prá fora e os outros lêem o que escrevo ou ignoram. No final, todos ficam felizes ou pelo menos com a ilusão de sê-los. E a cada palavra que ponho no papel, recupero um pouco do ar que um dia me faltou.

domingo, 22 de maio de 2011

Inferno Astral

Meu inferno astral começou em 12 de Maio. Em menos de vinte  dias completo 30 anos de idade.
COMO ASSIM????

Eu tinha tantos planos, tantos sonhos, tantos projetos....
Quando mais jovem acreditava que aos 30 uma pessoa já tinha uma vida definida. 

Achava que nessa idade já teria casa, carro,  filhos. Pensava que já estaria pelo menos num doutorado e que já teria rodado parte do mundo. Sabe aquele momento em que o sujeito pára e pensa: agora eu quero sossego para desfrutar de tudo o que eu consegui? Então, eu imaginava que seria este o meu momento. Mas não. Não tenho bens, não tenho filhos,  não construí nada grandioso. Trabalho todos os dias, pago contas, vivo com 02 gatos e iludo-me com a idéia de que essa vida pode ser boa. Quando bate o medo uso anestésicos legais e comercializáveis para sedar e calar a dor. Circulo anônima em meio a massa que levanta cedo todos os dias e retorna ao domicílio bem depois do pôr-do-sol. Acho a maior parte das pessoas ao meu redor desinteressantes e ando me questionando se o problema não tá é comigo, afinal, não é possível todo mundo ser assim tão entediante!

Por mais que eu tente, por mais que eu corra, por mais que eu lute contra, parece que não há mais nada a ser feito. Vou fazer 30 anos e não tenho escolha.
E não rodei o mundo, não fiz nada de especial. Só vivi como uma cidadã comum. Um RG ambulante. Uma certidão de nascimento de 1981.





Do amor.


domingo, 8 de maio de 2011

Dias preguiçosos.

Ainda não paguei a conta de luz: fiquei com preguiça de ir ao Banco em dia de pagamento, pensando nas intermináveis filas. A geladeira está vazia e os armários da cozinha também. O sabonete está no fim e hoje espremi o último suspiro de vida do meu tubo de pasta de dente. A impressora está sem cartucho, pois esqueci completamente de substituí-lo. Restou para o almoço um pacote de rosquinhas e um copo de leite. Mas hoje é Domingo e nos Domingos a gente não deve pensar na lista de compras. Domingo é dia se se espreguiçar e de  encher a vida de sonho. É dia de pensar em cores e relembrar o que há de humano em nós, que muitas vezes fica perdido no caos da semana. É dia de viver preguiçoso.


Meu gato, Zorro, em um Domingo preguiçoso.