sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal!

Chegou o Natal. Preguiça....

Gosto da reunião de pessoas queridas, de rever amigos e comemorar, seja lá como for e pelo motivo que for. Não entendo que esta comemoração toda deva ocorrer em cima de um fato histórico/bíblico e nem somente uma vez ao ano: fato este que envolve velhinhos barbudos com roupas para eras glaciais, renas, pinheiros e chaminés. Fico achando tudo um grande teatro que em nada representa a nossa cultura. E para além disso fico pensando no caráter comercial que o Natal ganhou: ceias caras, presentes e mais presentes. As famílias que não tem recursos simplesmente ficam a margem de toda uma festa que deveria propagar valores cristãos. Ahn????

PÁRA TUDO! Algo está errado!!!

Adoro reuniões e comemorações com pessoas queridas! Mas não entendo que deva existir uma data certa para que ocorram, nem que seja necessário banquetes. Um pão com ovo na companhia dos que amamos é genial! Presente? Sim,quem não gosta? Mas gosto mesmo é da idéia de bater o olho, ver algo e pensar na pessoa. Ou melhor ainda: fazer artesanalmente algo para o outro (capacidade que admiro, porém não tenho). Os presentes mais lindos que já ganhei por vezes foram simples demais. E ao meu ver, a carga de afeto embutida no ato de presentear é o que dá todo o valor do presente em si.

Seguindo a tradição cá estou eu com a família, em voltas com peru, grão-de-bico, castanhas, amêndoas (!!), e uma infinidade de especiarias sem fim. Tem árvore de natal decorada e papai-noel. E temos a tradição de ceiar a meia-noite.

De tudo isso o que mais me agrada é a idéia de sentar-me a mesa com os que amo, dividir o que quer que seja e conversar....simplesmente. Trocar afeto!

E é isso que farei hoje!

Um Feliz Natal a todos!




Always look the bright side of life... thcuru, tchuru, tchuru, tchuru...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 3) - A NOITE, A MADRUGADA, A PARTIDA....

Anoitece em Diamantina.
Conforme recomendado pela minha amiga (e fiel escudeira de vida) Fran, segui para A Baiúca para um chopp. Levei comigo o livro do Rubão. Cheguei ao fim da tarde e fiquei na área externa lendo e observando os passantes. Ao cair da noite toda a chuva que não caiu durante o dia despencou do céu com força total, obrigando todos os frequentadores a se aglomerarem no espaço interno. Eu que já estava meio que de partida acabei tendo que ficar por lá tamanho o dilúvio! E não cessava, não diminuía, nada. Resumo da ópera: Só consegui sair de lá meia-noite. A parte boa é que fiquei bebericando conversando com um senhor diamantinense  super gente boa! Ah, com o garçom (Alisson) e com a moça da lojinha de presentes do Beco da Tecla (Poliana) também!

 Boa Tarde Diamantina!

Boa Noite Diamantina!


Cheguei a pousada e fui recebida por Sidnei, o recepcionista noturno. Soube então que eu tinha uma garrafa de vinho de cortesia da pousada. Opa! Vamos beber então. Havia mais um amigo do Sidnei presente e ficamos os três, tomando vinho e proseando até alta madrugada, na varanda da pousada, enquanto o céu continuava a desabar lá fora. Como o vinho não bastou ganhei mais duas garrafas de cortesia....rs

Noite na varanda: vinho e papos sem  fim. Isto é Minas Gerais!


Acordei cedo, obviamente com uma dor de cabeça osso! Daí a fofa da Dona Lourdes me ajudou e fui medicada! Conheci alguns hóspedes novos no café e presenteei um casal com o mapinha de Diamantina que eu havia ganhado ontem.

Dona Lourdes: uma das figuras humanas mais lindas que conheci em Diamantina!


Preparo-me agora para deixar a cidade. O que dizer, o que pensar? Diamantina é uma cidade linda, com pessoas extremamente encantadoras! Tantas pessoas lindas cruzaram meu caminho aqui e eu também cruzei o delas. Isso faz com que eu me sinta viva.
Isso, para mim, é felicidade.
De volta a BH. A saudade apertou!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 2) - A TARDE

Meio-dia o sinou tocou! Sino, meu Deus!!! Sino! :D

Voltei a cafeteria/livraria da manhã para almoçar. Comi um caldinho de feijão com torradas divino! Enquanto esperava o pedido, peguei o jornal "Hoje em Dia", disponível para os clientes e qual não foi minha grata surpresa ao ver que uma das principais matérias era a celebração dos 95 anos de Manoel de Barros, um de meus poetas preferidos (só perde para o Drummond!!!). 

Teve bom!!!!

No cafézinho pós-almoço começo uma prosa com um casal na mesa ao lado. Conheço então Adna, professora de Letras da UFJVM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (que eu nem sabia que existia)e seu acompanhante, um professor de Antropologia do qual não me recordo o nome. Para meu deleite Adna é profunda conhecedora de Rubem Fonseca e contou-me sobre trabalhos acadêmicos de Mestrado e Doutorado que abordam a obra do Rubão. MORRI!

De lá subi uma ladeira imeeeeeensa para chegar ao Largo Dom João, próximo a rodoviária. É lá que tem a antiga estação de Diamantina, que hoje abriga um quartel do Corpo de Bombeiros. Fiz algumas fotos, mas voltei logo para o centro. De fato é aqui que está a parte legal da cidade. 


ps: Na praça do Largo Dom João tem um presépio e enfeites de Natal todos feitos de garrafa Pet. Achei a idéia nobre demais, mas confesso que tive um pouco de medo do boneco de neve! Se eu acordo de noite e olho um bicho desses eu num sei não...

Hey crianças, eu vim roubar a alma de vocês, digo, vim falar do espírito natalino!

Refiz alguns trajetos da manhã, voltei em lojas para comprar lembrancinhas para o natal. Parei na Associação das Artesãs de Diamantina. São em média 40 mulheres que sustentam suas famílias com o artesanato e cobram por eles um preço muito justo. Lá aprendi um pouco mais sobre a história de Diamantina e sobre as festas locais, em especial as Vesperatas. Fecha-se a Rua da Quitanda e músicos tocam das sacadas dos casarões. De lá segui para a Casa do Muxarabiê. Trata-se de uma casa que abriga a Biblioteca Antônio Torres, um diamantinense ilustre que foi   sacerdote e depois foi expulso por escrever textos contra a Igreja (Já ganhou meu coração!). Nesta casa conheci a simpática historiadora Ederlaine. Lá na casa eles ofertam através do IPHAN um curso de restauração de livros, algo que sempre tive vontade de aprender. Minha gentil companhia da maior parte da tarde (fiquei quase duas horas lá..) contou-me sobre a história da cidade, de Xica da Silva, do próprio Antônio Torres e sobre os tempos da escravidão. Por fim ficamos pesquisando nos livros históricos sobre Barroco e Rococó. Ederlaine me disse que tem um distrito de Diamantina chamado São João da Chapada que abriga uma região nomeada de "Quartéis do Indaiá", área quilombola que ainda preserva suas tradições. Fica a dica para a próxima vez que eu voltar. 
Quando ia saindo achando que já tinha visto tudo o que poderia ver, Ederlaine mostra-me o Muxarabi. Trata-se de uma janela em estilo árabe, na sacada da casa, que tinha como principal objetivo permitir que as mulheres pudessem olhar a rua sem serem vistas. Os homens ficavam na varanda principal (expondo a figura sem dó nem piedade) e as mulheres somente podiam ver o mundo externo pelo Muxarabi, que lembra a própria estrutura da burca. Soube então que este é o último Muxarabi original do Estado de Minas.

Muxarabi, paraíso dos Voyeurs, pesadelo dos Exibicionistas!

É, a vida das mulheres daquela época devia ser mesmo bem sofrida....
O tempo firmou a tarde e quase nem pingou. 
Já no finalzinho da tarde voltei a Pousada para uma pausa nas andanças. A noite vou seguir a recomendação da minha amiga Fran e dar um pulo na Baiuca.
Amanhã retorno a BH....que pelo que tenho acompanhado segue debaixo d`água.

Da arte de sair por aí (Parte 2) - A MANHÃ

Manhã em Diamantina. 

Desci para tomar o café e o dia já começou bem demais. Conheci a simpática Lourdes, a cozinheira da pousada. O café que seria um episódio burocrático do dia tornou-se num grande evento: por fim convidei-a a sentar-se comigo. Ficamos quase uma hora de papo...Lourdes contou-me sobre sua vida em Diamantina, do desejo de ir viver em Belo Horizonte, dos filhos, da família...escutei lindas histórias de uma Diamantinense! (Ela agora me chama de "a moça comunicativa de Belo Horizonte"...ahahaha)
Saí andando pela cidade, sem rumo. Passei por Igrejas, casarões e os becos tão bonitos desta cidade. De repente verifico que estou de volta em frente a Catedral, que havia sido mais ou menos o meu ponto de partida. Vejo então um simpático cachorrinho e páro para brincar com ele. Pronto: ganhei um companheiro para minhas andanças matutinas! O simpático cãozinho seguiu-me por TODO o trajeto, sem cansar! E quando eu parava para contemplar alguma paisagem, fotografar ou simplesmente ficar de bobeira observando as pessoas ele parava e deitava-se próximo a mim. Num dado momento eu virei uma esquina e ele ficou para trás. Quando me dou por conta ele aparece, correndo em desespero até me alcançar. Meus olhos se encheram de lágrimas neste momento e ali, eu, uma Igreja velha e um cachorrinho (rua deserta) eu senti exatamente o sentimento que nomeamos como AMOR. 



Consegui um mapinha da cidade na Secretaria de Turismo mas muito em breve descobri que não precisaria dele. A população local é EXTREMAMENTE acolhedora e te ensina e chegar em todos os lugares que você quiser ir. Entrei e saí de várias Igrejas e lojinhas. Até que chego a um beco chamado "Beco da Tecla", com uma livraria-cafeteria DELICIOSA! Um ambiente mais escuro, com bom café, vinhos, panquecas, uma seleção de livros de dar gosto de ver e pasmem, um SEBO  no fundo da loja! Quando vi que eles tinham livros do Rubem Fonseca e a Coleção de fotos da Frida Kahlo da Cosac-Naify entendi que eu estava no meu lugar! Passei um bom tempo ali dentro, lendo e conversando com a moça da cafeteria.



Rubão!  


"Pies, para que los quiero se tengo alas para volar?" - Frida Kahlo  

De lá fui para a Praça JK e sentei-me próxima a estátua do próprio. Começo a conversar com um moço que estava andando pelo parapeito da praça (há uma altura importante entre a borda desta praça e a rua, abaixo). Diálogo desenvolvido mais ou menos assim:

Moço desconhecido: É só uma estátua, moça. O fogo vai vir e levar tudo.
Vanessa: Ah é?
M: É, tá na Bíblia. Você acredita em mim?

(Neste momento meu feeling apita e entendo estar diante de um psicótico....)

V: Bem, se você está me dizendo... mas aqui, você não acha melhor descer daí? Você pode cair..
M: Não caio não, se eu cair eu não morro. Deus me segura, os anjos me seguram.
V: Eu sei, mas mesmo com a proteção deles a gente pode se cuidar também.
M: Nada...eu sou imortal.
V: Hum..saquei...me conta e o que você faz? Trabalha, estuda..?
M: (Silêncio..)... Faço nada não...eu só quero ser de Deus.
V: Mas isso pelo que você me disse, você já é, não?
M: É sou sim (E abre o maior sorriso do mundo)
V: Bem, foi um prazer conhecê-lo, vou andando.
M: Cuidado com o fogo do céu moça, ela chegará em breve!
V: Pode deixar, tomarei cuidado sim. Um bom dia prá você!

Nessas hora eu penso: você está de férias, mas não tem jeito, atrai toda a loucura do mundo para você. Ainda bem que eu gosto disso...

Praça JK - (O moço com quem conversei está de pé no parapeito!)

ps: Quando retornei ele já tinha descido. Gostei de pensar que pode ter sido pela nossa conversa..ou não. Vai saber?....

Retomando....
Gosto tanto que reencontrei o CAPS-Ad (Centro de Atenção Psicossocial voltado para atendimento a usuários de Álcool e Drogas) da cidade (eu já o havia visto ontem a noite, na chegada). Resolvi parar e conhecer o serviço. Fui muito bem recebida pelo Auxiliar Ramon, pelo Enfermeiro Flávio e pelo Psicólogo Francisco José. Flávio percorreu todo o serviço comigo, pude conversar com usuários e meio que participar informalmente de um acolhimento - (Situação em que não sabia-se o que fazer, eu metida fui lá e dei o meu pitaco e pronto! Rá!)

Fim do primeiro round! Retorno a pousada e quem me recebe com um sorrisão? A querida Lourdes!!! "Moça, quer um cafézinho, acabei de passar.."

Muito amor por esta cidade e pelo seu povo!

E que venha a tarde....

domingo, 18 de dezembro de 2011

Da arte de sair por aí (Parte 1)

Iniciando meu curto período de férias, vim dar umas voltas em uma cidade histórica mineira que ainda não conhecia, Diamantina. Como todas as pessoas com as quais gostaria de dividir este momento estavam ocupadas, enfiei umas roupas na mochila e vim sozinha.
A coisa começou meio esquisita na estrada: 07 horas de viagem!!! (O normal é 04:30). Duas carretas tombadas fizeram com que o primeiro trecho da viagem, até o município de Curvelo virasse uma interminável jornada a 20 km/h. Bem, ok. Eu estava com muitas músicas legais, o livro novo do Rubão (Rubem Fonseca, para os íntimos) e uma paciência de Jó. Mas no ônibus deveriam ter umas 589 crianças e um tal de João tocou o terror a viagem INTEIRA. Mães, pelo amor de Deus, ensinem a seus filhos que não é legal ficar gritando e brincando de carrinho pelo corredor do ônibus a viagem toda!!! (OK, tô parecendo uma tia ranzinza, mas o lance foi tenso, juro)
Enfim cheguei a Diamantina! Parti em busca da minha pousada e é CLARO que eu me perdi. Mas não achei ruim..fiquei um bom tempo andando sozinha pelas ruas da cidade, com minha mochila e debaixo de chuva. Diamantina num domingo chuvoso a noite fica extremamente vazia e melancólica, algo que eu simplesmente idolatro! (Nessas horas lembro de duas amigas queridas, que me consideram depressiva..ahahahaha) Whatever....
Perambulei, perambulei e enfim achei o local! Deixei minhas coisas e saí a andar pelas ruas. Fui atraída por um som de alto-falantes que percebi que vinha de uma Igreja. Entrei e deparei-me com uma missa dessas que acontecem tradicionalmente nas cidades interioranas de Minas. Entrei, sentei-me. Quem me conhece sabe o quanto abomino a idéia da religião, não consigo aceitar que um sujeito que é feito de carne, ossos e vísceras como eu possa me dizer o que Deus quer de mim e como eu devo viver a minha vida. Whatever, again.
Mas eu gosto muito das crenças e da fé, gosto dos símbolos e dos mitos. Acho de uma beleza imensa todas as manifestações de afeto humanas e entendo que na religião elas podem sim fazer-se presente. Fiquei a contemplar a cerimônia, observando as pessoas e as emoções que elas exprimiam enquanto seguiam, absortas em suas rezas o ritual. Conversei ao final com algumas senhoras e recebi um convite para jantar na casa de uma delas (Isso é Minas Gerais....) Talvez amanhã eu apareça com um agrado para retribuir a gentileza...
Achei um único lugar aberto em que era possível comer algo. Passei por lá rapidamente e voltei para a pousada. Peguei o guarda-chuva e fiquei andando pela praça próxima...não havia mais ninguém: Só eu, a chuva, as luzes e as pedras. Senti-me tão plena e feliz neste momento... recebi boas notícias pelo telefone e consegui matar um pouco da saudade dos que estão longe. 
Fechando a noite reencontro nesta pracinha um moço que veio no mesmo ônibus que eu. Ele falava enrolado e estava com dificuldade de entender as "comidas" na parada, ajudei-o traduzindo os sabores para o Espanhol. Tirei NÃO SEI DE ONDE que era um Argentino. Na breve conversa de fim de noite descubro que trata-se de um FRANCÊS! Ele me disse que os amigos tinham ido visitar o Rio, mas ele queria conhecer as cidades históricas mineiras. Achei super bonito e morri de orgulho das Minas Gerais, que fiz questão de exaltar perante o visitante!!!
A chuva continua caindo lá fora e eu acho que ela só compõe o belíssimo cenário deste lugar. Amanhã vou sair de tênis e me perder mais um pouco pelos becos e ruas de Diamantina....
Sou nascida no Rio, criada em Juiz de Fora, moradora de Belo Horizonte. Sou da BR 0-40.
Mas para mim, acima de qualquer coisa, eu sou MINEIRA.
Isso é que o meu coração diz. 
Isso basta né?




"Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem."

(Felicidade- Marcelo Jeneci)

domingo, 11 de dezembro de 2011

O exercício das pequenas coisas.

Enfim, férias.
Férias parciais, uma vez que sigo trabalhando em parte do tempo.
Mas ao menos, agora, ao término de um ano tão cheio e atribulado consigo encontrar um espaço para dedicar-me aos meus pequenos prazeres cotidianos, tão deixados de lado ultimamente. Cuidar da minha casa, esvaziar os armários, arrumar meus livros, cozinhar...coisas tão simples, mas que na minha vida estavam de fato tornando-se artigo de luxo.
Nesta semana vou comprar temperos e  refogar alho na panela, pelo simples prazer dos aromas liberados. Vou comprar novas plantas para a casa e cuidar melhor das poucas que aqui estão. Vou receber pessoas queridas em casa para um café e me perder em conversas sem fim. (Ah sim, vou comprar um bule esmaltado no Mercado Central também!!). Vou rever filmes, assistir novos, ler livros que estão na lista de desejos há tempos e vou aproveitar cada minuto da companhia das pessoas queridas que me cercam. E vou andar por aí, pelas ruas da grande cidade. 
Definitivamente para pessoas como eu a felicidade está no exercício das pequenas coisas!

* FOTO: Frida Kahlo, por Tascha Parkinson .

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Das urgências

Cá estou de volta, as palavras, que tanto me apaziguam! 
Difícil descrever o que foi minha vida neste segundo semestre de 2011. Muitas mudanças, todas juntas, ao mesmo tempo. Tudo muito, muito intenso. Alguns rompimentos, cortes, algumas construções novas e caminhos ainda a serem descobertos. 
Peguei-me pensando estes dias nas minhas urgências. De fato sou uma pessoa urgente e isso já foi-me atribuído em forma de crítica. Analisando com calma, concluo que sou mesmo uma pessoa que vive de uma forma veloz e inteira e não consigo existir neste mundo de outro modo. Voltando ao passado entendo que sempre fui assim. Consigo parar e admirar a beleza de detalhes da vida que são muito pequenos, emociono-me com coisas simples e acho muito bonito a maioria das sutilezas que envolvem a humanidade e toda a sua produção. Mas na minha vida, cabem todas essas "coisinhas" minhas e mais um pouco. Sempre há espaço para mais, sempre quero mais. 
E a vida tem correspondido ao meu desejo. 
E quando não mais corresponder eu revejo o rumo. Só tenho uma certeza hoje: parada eu não fico. 
Eu sou urgente.

domingo, 6 de novembro de 2011

Do tempo (ou da falta dele)

Trabalho + outro trabalho + especialização + lecionar+ preparar apostilas + responder dúvidas dos alunos +viajar+ dormir pouco + varrer casa + tentar minimamente ler algo da pós + ofertar um pouco de carinho aos que me cercam + tentar não enlouquecer =  tempo zero para escrever.

Até breve!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Carta a um cavaleiro distante

não, não se preocupe...eu aqui fico, eu aqui espero, eu aqui me sento, daqui não sairei, ficarei a esperar todas as suas indecisões serem resolvidas, todos os seus caminhos se abrirem, uma luz há de aparecer. Algo há de mudar neste estranho jogo das inconstâncias e instabilidades humanas, eu penso não ser capaz de suportar, mas sei que sou mais forte do que isso. Não se esqueça de que não sairei do lugar, te esperarei sempre, todos os dias, no mesmo lugar. Vestirei o que quiser, comerei da tua comida, beberei de teu sangue, tua alma ou o que mais possível for. Sobreviverei com a tua dor e assim me tornarei a mais saciada das criaturas. Dá-me teu vinho e teu pão, dá-me tua atenção e eu te darei a minha vida.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A vendedora de rosas


Quando a conheci, Angelina vendia rosas em uma praça perto da minha casa.  Tinha aproximadamente vinte anos, embora aparentasse mais: algumas rugas denunciavam uma exposição excessiva ao sol. Cabelos negros, longos, ressecados, presos em uma longa trança. Vestido de chita, florido, que realçava a beleza de seu corpo. Sandálias de borracha. No pescoço um colar e um pingente com a foto de Jesus Cristo, destes facilmente comprados por alguns centavos em camelôs.

Era natural de uma cidade do interior do nordeste.  Não se recordava da mãe, que morrera muito cedo vítima de uma doença inexplicável. O pai, na época, sem condições de sustentar os doze filhos, distribui-os entre famílias com mais condições na região. Ainda criança, foi morar com um casal na capital do estado e nunca mais viu seus parentes. Neste novo lar era tratada como empregada e, desde muito cedo já arcava com pesadas tarefas domésticas. Aos quinze anos cansou-se da vida sofrida que levava e fugiu. Chegou a São Paulo pegando caronas. Sem qualificação, conseguiu como única opção de sustento o trabalho informal das ruas, vendendo rosas.

Aprendeu a se defender do perigo das grandes cidades, e por isso não costumava conversar muito com os fregueses, a quem usualmente atendia desviando o olhar. Só consegui aproximar-me dela após muitos e muitos meses de aquisições freqüentes. Eu comprava rosas só para ter o prazer de vê-la. Algo me encantava naquela figura tão simplória e amedrontada.

Em uma bela manhã de domingo fui até a praça em busca das flores, ou melhor, a procura da moça por detrás da banca de flores. Não a encontrei.  Perguntei a outros ambulantes e ninguém sabia onde ela estava. Senti um misto de tristeza e preocupação. Teria adoecido? Quem a teria socorrido? Será que precisava de algo? Será que precisava de mim?

Lembrei-me então, da única vez que ela me disse o nome da favela em que morava. Em um ato impulsivo, decidi procurá-la, mesmo sabendo dos riscos implicados em adentrar um território que poderia ser hostil. Depois de muito perguntar, soube que Angelina estava há muito tempo guardando dinheiro para retornar a sua terra natal e que, naquela manhã, deixara a comunidade com uma pequena mala, suficiente para levar tudo o que tinha. Saí de lá com uma recomendação: “Se você correr ainda a pega na rodoviária”.

Mas eu não corri. Que direito eu tinha de impedir que a vida seguisse o seu curso? Voltei para casa pensando na minha doce vendedora de flores. Desfazer-se de tudo o que já foi construído e retornar ao ponto de partida é renascer. Minha rosa estava para desabrochar e esta cena eu não veria.





domingo, 7 de agosto de 2011

Medos

Tenho medo de tantas coisas: barata, aranha, escorpião. Tenho medo de gente, de cachorro bravo e de falta de dinheiro. Tenho medo da solidão, do futuro, de algumas escolhas que faço e medo de me acomodar, seja lá com o que for. Tenho medo de não saber.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um simples oi.

Eu não morri. Fiz 30 anos, moro no mesmo lugar e faço as mesmas coisas que fazia antes.
Não tenho sentido necessidade e nem vontade de escrever. A hora que bater aquela vontade eu volto por aqui. Até lá eu tô por aí, vivendo.
Um beijo a quem fica.

terça-feira, 24 de maio de 2011

As palavras e o ar.


         Às vezes eu me sinto cansada. Na verdade, acho que já nasci exausta. Minha mãe relata que fui retirada de seu ventre através de uma cesariana três dias após o esperado, e por este motivo, apresentei uma grande mancha roxa nas costas. Conforme prometido pelo médico, a marca sumiu alguns dias após. Ouvindo este relato penso no quanto lutei para sobreviver: sem ar, em um ambiente que já não era mais tão agradável: sufocando, no escuro, sem encontrar uma luz, sem achar a saída. Sinto pena de mim mesma ao pensar que eu estava ali, tão sozinha e vulnerável, tão próxima da morte antes mesmo de chegar à vida. Meus olhos se enchem de lágrimas e entendo que sou uma sobrevivente, mas eu não gosto de demonstrar minhas fraquezas assim tão de graça para os outros. Então eu escrevo. Confesso ao papel meus medos, meus sonhos e meus desejos e histericamente publico-os em um blog, local devassado em que qualquer pessoa pode ter acesso ao que tento esconder por toda uma existência.
       O legal de escrever é que a realidade mistura-se de forma tão harmônica com a ficção que posso falar tudo sobre mim e ao mesmo tempo nada. Posso criar personagens para contar uma história minha ou posso simplesmente inventar tudo da minha cabeça. Não interessa. Eu boto prá fora e os outros lêem o que escrevo ou ignoram. No final, todos ficam felizes ou pelo menos com a ilusão de sê-los. E a cada palavra que ponho no papel, recupero um pouco do ar que um dia me faltou.

domingo, 22 de maio de 2011

Inferno Astral

Meu inferno astral começou em 12 de Maio. Em menos de vinte  dias completo 30 anos de idade.
COMO ASSIM????

Eu tinha tantos planos, tantos sonhos, tantos projetos....
Quando mais jovem acreditava que aos 30 uma pessoa já tinha uma vida definida. 

Achava que nessa idade já teria casa, carro,  filhos. Pensava que já estaria pelo menos num doutorado e que já teria rodado parte do mundo. Sabe aquele momento em que o sujeito pára e pensa: agora eu quero sossego para desfrutar de tudo o que eu consegui? Então, eu imaginava que seria este o meu momento. Mas não. Não tenho bens, não tenho filhos,  não construí nada grandioso. Trabalho todos os dias, pago contas, vivo com 02 gatos e iludo-me com a idéia de que essa vida pode ser boa. Quando bate o medo uso anestésicos legais e comercializáveis para sedar e calar a dor. Circulo anônima em meio a massa que levanta cedo todos os dias e retorna ao domicílio bem depois do pôr-do-sol. Acho a maior parte das pessoas ao meu redor desinteressantes e ando me questionando se o problema não tá é comigo, afinal, não é possível todo mundo ser assim tão entediante!

Por mais que eu tente, por mais que eu corra, por mais que eu lute contra, parece que não há mais nada a ser feito. Vou fazer 30 anos e não tenho escolha.
E não rodei o mundo, não fiz nada de especial. Só vivi como uma cidadã comum. Um RG ambulante. Uma certidão de nascimento de 1981.





Do amor.


domingo, 8 de maio de 2011

Dias preguiçosos.

Ainda não paguei a conta de luz: fiquei com preguiça de ir ao Banco em dia de pagamento, pensando nas intermináveis filas. A geladeira está vazia e os armários da cozinha também. O sabonete está no fim e hoje espremi o último suspiro de vida do meu tubo de pasta de dente. A impressora está sem cartucho, pois esqueci completamente de substituí-lo. Restou para o almoço um pacote de rosquinhas e um copo de leite. Mas hoje é Domingo e nos Domingos a gente não deve pensar na lista de compras. Domingo é dia se se espreguiçar e de  encher a vida de sonho. É dia de pensar em cores e relembrar o que há de humano em nós, que muitas vezes fica perdido no caos da semana. É dia de viver preguiçoso.


Meu gato, Zorro, em um Domingo preguiçoso.

domingo, 10 de abril de 2011

Os últimos minutos.


Estavam ali, os dois, sentados em um banco de praça. Após muitos anos de vida em comum parecia que o fim era inevitável. Já haviam tirado as alianças e ele já estava morando em um hotel simples, mas confortável. Entraram em um consenso de que ela ficaria com o cachorro e com toda a mobília. Ele não fez questão de muita coisa, apenas de alguns objetos pessoais e de seus livros. Mesmo sabendo que já não havia mais amor naquela relação ela não entendia como um casamento tão bonito acabara assim. Ele não procurava entender, preferia não pensar sobre. O relógio marcava 08:45 da manhã, transeuntes corriam pelas ruas, a cidade estava a todo vapor. A hora estava chegando. Buscavam assuntos aleatórios para passar o tempo, evitando qualquer questão que pudesse desencadear uma conversa sobre o que estava acontecendo. Ela olhava para as unhas, ele para os sapatos. Ela pensava no que fazer com o espaço que ele deixara em casa, ele pensava que um homem digno não poderia viver em um hotel por muito tempo. Um senhor bem vestido parou diante de uma porta de ferro do outro lado da rua e a abriu. Correram apressados . Enfim o cartório estava aberto. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O mundo em um docinho.

Eu queria um mundo mais doce, com mais calda de chocolate, caramelo e morango. Um mundo com suspiro e côco ralado. Com casinhas de biscoito recheadas com creme de avelã. O solo poderia ser de algodão doce, os rios de baunilha e o céu de sorvete. Nesse mundo todos seriam felizes e a única preocupação seria cuidar para que tanta felicidade continuasse inabalável até o fim dos dias.
FIM



domingo, 20 de março de 2011

O encontro

Retornar a cidade aonde passei a maior parte da minha vida sempre me traz um turbilhão de lembranças. Desta vez deparei-me com um local aonde passava muito tempo enquanto pequena: um clube. Revi o balanço, o carrossel e o bondinho em que eu brincava por horas a fio, a piscina aonde aprendi a nadar e o bosque, um dos meus locais preferidos. Senti mutas saudades de tudo  o que vivi ali e me pus a observar as crianças que se divertiam ao meu redor. Por um breve momento foi como se eu me visse ali....uma menina com um maiô azul com uma melancia bordada no peito, cabelos pretos curtos, correndo pelo parquinho. É como se eu aos quase 30  pudesse dialogar com a Vanessa de 07,08, 09 anos....hoje teria muito o que dizer a esta criança mas minha maior curiosidade seria saber o que a pequena menina diria para a mulher de agora. Meu primeiro pensamento foi: será que ela gostaria do que veria?
Pelo sim pelo não achei melhor não incomodá-la e deixá-la lá brincando. Talvez  para sempre.


domingo, 13 de março de 2011

Nino

Sabe, eu sempre fui um rapaz tímido, passei a maior parte dos meus dias sozinho. Perdi meus pais quando pequeno e ainda muito jovem tive que me sustentar. Já fiz de um tudo nessa vida.  Hoje trabalho em uma loja de produtos eróticos e também no trem fantasma de um parque de diversões em Montmartre. Eu me fantasio de monstro e assusto os freqüentadores do brinquedo. Pode parecer um emprego estranho, mas acho divertido.
Desde menino eu gostava de colecionar fotos, em especial as de tamanho 3x4. Guardava em uma velha caixa de sapatos retratos de familiares, amigos e até mesmo de desconhecidos, que em golpes de sorte encontrava em lixeiras. Sim, eu revirava até o lixo em busca de material para minha coleção. Um dia descobri que as máquinas de foto- expressa das estações de trem são ótimas fornecedoras de matéria-prima: muitas pessoas não satisfeitas com o resultado de suas fotografias as descartam ali mesmo. Munido de tesoura e cola, eu percorria diversas estações recolhendo e colando todas que encontrava em meu álbum.
Nunca tive namorada. Sempre achei que nenhuma garota se interessaria por mim: feio, pobre, tímido, sem grandes perspectivas. Preferia ocupar meu tempo com meus pensamentos e com meu passatempo. É como se eu não soubesse se relacionar com outros humanos, sabe?
Você deve estar pensando que minha vida era meio sem graça.... tenho que admitir, era mesmo. Perdia horas e mais horas isolado em meus devaneios, buscando os retratos ou trabalhando. Nada de diferente acontecia em meus dias. Até que eu a conheci. Na época, perdi meu álbum de coleções em uma estação de trem e ela o encontrou. Se eu sou um cara estranho, acredite, ela é ainda mais. Ao invés de me devolver diretamente, montou uma espécie de jogo-charada para que eu o localizasse e posteriormente a encontrasse. Foi assim que nos apaixonamos. Rimos muito hoje lembrando dessa história.
Ela é garçonete e , assim como eu, vivia sozinha e não tinha muitos amigos. De imediato nos identificamos. Nosso desamparo, nossa solidão e nosso gosto pelas pequenas coisas que, em geral, passam despercebidas para a maioria das pessoas, nos uniu. Muitos nos consideram um casal excêntrico, mas somos felizes assim. Ah, me desculpe, mas ainda não lhe disse meu nome: Nino Quincampoix, muito prazer. Minha namorada se chama  Amélie. Você é daqui mesmo?

domingo, 6 de março de 2011

Sim, eu quero o meu circo.

É carnaval!!! Tempo de usar fantasias criativas e coloridas, dançar pelas ruas, cantar, confraternizar. Época de relembrar marchinhas famosas em antigos carnavais e cantá-las em alto e bom som!!! Que me perdoem os que não gostam, mas eu AMO o carnaval. Acho fantástico parar por quatro dias e brincar como se não houvesse manhã, como se o mundo se reduzisse ao bloco do qual participo ou da escola na qual desfilo. Naquele momento eu sou uma melindrosa, uma fada, uma bailarina ou simplesmente uma foliã.
E é também nessa época festiva que surgem os comentários daqueles que se consideram muito politizados. Ninguém é obrigado a gostar da festa de momo, mas daí rotular todos os que gostam como alienados é demais para a minha pessoa. O carnaval é uma festa popular, que gera lucros exorbitantes para o país e não vejo nada de mal em parar as atividades que realizamos rotineiramente UMA VEZ AO ANO para um momento tão singular.
Eu trabalho, estudo, leio, não sou uma total desinformada, defendo muitas bandeiras, pago impostos e cumpro com todas as minhas obrigações civis. E não me sinto menos cidadã por me fantasiar e sair pelas ruas brincando o carnaval. Eu quero poder ter o direito ao meu circo, pelo menos quatro dias por ano.

Fui pro bloco.
(PS: Se quiserem discutir algum assunto sério procurem-me depois da quarta de cinzas)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Crônica sobre a infância


É bem curioso quando pensamos em nosso passado e percebemos, com algum assombro, que a criança que fomos um dia continua até hoje em nós. Não sei se isso é bom ou ruim. Aliás, não sei se é para ser bom ou ruim.
Recordo-me dos momentos em que ficava olhando pela janela as crianças brincando na rua. Meninos correndo, jogando bola, soltando pipa. Estas diversões não estavam ao meu alcance. Segundo minha mãe, este não era ambiente adequado para uma menina como eu. Enquanto meus colegas cortavam os pés correndo descalço e sujavam-se a ponto de ter que jogar a roupa fora, eu ficava em casa, sempre com meus sapatos impecáveis e as roupas limpas. Em minha solidão, eu encontrava refúgio nos livros e nas palavras. Elas eram as minhas amigas. As histórias que eu lia me levavam para lugares bem mais distantes. Conheci países, idiomas, fatos históricos e segredos que não teria conhecido no meu bairro.
Quando tirava férias ia passear no Rio de Janeiro, cidade em que nasci. Lá, também não podia ficar na rua, afinal, era ainda muito mais perigoso. Meus dias se resumiam a ser mimada pelos meus avós paternos, o que, confesso, não era nada ruim. Aos finais de semana, saía para passear com minha madrinha que me levava ao teatro ou à biblioteca. Parecia que os livros estavam mesmo destinados a mim. Por mais que eu tentasse fugir – o que na verdade nunca quis – eles me encontrariam com facilidade. “Presa fácil essa menina” deveria ser a frase dita do dicionário ao livro de poesia, enquanto eu transitava dentre as enormes estantes.
Quando já moça, com maior autonomia, não queria mais desbravar a rua. Queria desbravar o mundo. E o fazia: na biblioteca da faculdade. Horas e mais horas mergulhada em viagens tão próprias, que não permitiam acompanhante. E eu prossegui sozinha. Não acho que minha mãe tenha errado em tentar me proteger dos desvarios do mundo, nem que meus avós tenham pecado por me manter sob vigilância. Com os livros consegui muito mais do que teria obtido na rua. Mas sabe, uma coisa o livro nunca me deu: o prazer de correr descalça e de soltar pipa com as crianças da vizinhança, pelo bairro. Se alguém, dia desses, ver uma mulher correndo de pés no chão por aí ou olhando um papagaio que se enroscou num fio de alta tensão, tenha certeza, há uma boa chance de ser eu.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Meus ombros não suportam o mundo.



Por diversas vezes já me perguntei o que estou fazendo neste planeta. Há quem diga que veio ao mundo a passeio, existem os que defendem ideais humanitários ou ainda os que se engajam arduamente em uma missão própria. Enfim, todo mundo está aqui por algum motivo, em busca de alguma coisa. Não sei se é um privilégio meu,mas por diversas vezes me perguntei: "Que raios faço eu neste mundo?".
Não tenho muitas certezas, mas de uma coisa eu sei: isso tudo é muito pesado, meus ombros não suportam.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E agora Jose?

As vezes é mesmo preciso parar e voltar a superfície para tomar um pouco de ar. Quando pensamos que já sabemos de tudo de repente um revés nos coloca diante da nossa incapacidade e falibilidade humana.Quem disse que viver seria tarefa simples? O mundo por vezes é tão intolerável que esconder-se parece ser uma estratégia inteligente. Mas como tudo há sempre o outro lado. Escapa-se de algo, mas não do todo. Sempre sobra alguma fagulha, algum resquício capaz de ferir. E dói, dói muito.
Drummond já questionava José, instigando-o a encontrar uma solução em meio a seus devaneios mundanos: "E agora José?", cutucava o poeta. Fico imaginando o pobre José ao ouvir a pergunta de seu criador: acuado, confuso, solitário. Por quê fostes tão cruel Drummond? Por quê não estendeu simplesmente a mão ao pobre homem, por quê somente não ofereceu seu ombro amigo e o ouviu chorar? Drummond, não te reconheço!
De nada adiantaria bradar contra o poeta porque ele está em toda a parte. Seremos eternamente questionados e pressionados a tomar  decisões que implicarão diretamente em nossos destinos e talvez no de terceiros. Por quantos Drummonds você já não sentiu-se cobrado? Chefes, colegas, amigos, parceiros afetivos, parentes, vizinhos, passantes na rua..... são muitos Drummonds que nos cercam e nos colocam diariamente à prova.
Por mais que você se demita, rompa o namoro, brigue com a família e se mude para um casebre perdido no Nepal, ainda assim não se verá livre do "E agora?": o pior dos Drummonds está em nós. E ele ainda sai na vantagem, porque nos conhece melhor do que qualquer outra pessoa.

Estamos todos perdidos!


 E agora?


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

2011 e suas provações.

2011 mal começou e já mostrou a que veio. Ô mês difícil esse tal de Janeiro hein? Gente que vem, gente que vai, gente que sofre, gente que quer se encostar, gente que só quer se aproveitar...

Sei não, mas algo me diz que pular direto para 2012 seria mais do que sensato

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Corra Vanessa.

Corra Vanessa, corra. O dia já clareou, o sol já nasceu, há muito por fazer. Levanta Vanessa. Há quem espere por você. Não, não se atrase. Deixe disso, vamos logo. Rápido. Não se esqueça de nada. Feche todas as janelas, mas deixe as cortinas abertas. Corra Vanessa. Não perca o ônibus, não perca o enredo e nem a melodia. Você sempre deixa algo pra trás, você nunca termina o que começa. Por quê Vanessa?  Vamos, vamos, já é hora. Faça tudo direito.
Você não aprende mesmo....

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dias de sol

Quem me conhece bem sabe o quanto gosto dos dias chuvosos e nublados. Mas hoje meu dia foi só sol. Céu azul, calor gostoso, sem uma única gotinha de água vinda do céu. Mas não me refiro somente às condições climáticas: falo também do MEU dia, o dia da Vanessa Barreto Fassheber, Id: XXX, CPF: xxx, etc. e tal.
( Perdão pela terceira pessoa, sempre acho que quem fala de si neste tempo verbal é arrogante, mas paciência) Precisava enfatizar o MEU, e por isso adotei a forma temporal que mais adequou-se ao momento.

                                     
                                        *****************************************


A questão é que, depois de um bom tempo perdida, sem saber para que lado olhar e por onde começar, tive um insight, uma fagulha, um lampejo, ou sei lá o que, mas algo mudou, algo se moveu! E o mais engraçado, decidi voltar para o início de tudo. A vida é mesmo tão engraçada....

                                  *****************************************


ps: Desculpem-me pelo post nonsense....foi o máximo que saiu agora..

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dias mais bonitos.

Como toda pessoa que se preze, elaborei minhas metas para o ano que se inicia. Não vou postá-la para não dar munição para que me questionem posteriormente no caso de uma quebra de contrato. Tenho mais desejos do que espaço vago na agenda para executá-los, mas ainda assim eles permanecem aqui, vívidos e clamando por serem realizados o quanto antes. Talvez eu precise fazer uma seleção daquilo que de fato seja relevante e daí inicia-se um grande problema prá mim: estabelece prioridades. Quero tudo, quero muito e quero mais um pouco. Pode ser que mude de idéia algumas vezes, mas continuarei querendo alguma coisa. Acho que isso é viver né?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Que neste ano

Que neste ano você seja capaz de se emocionar mais. Que reclame menos e que saiba apreciar um fim de tarde ao lado de alguém que ama. Ou ainda que encontre a felicidade em uma xícara de café forte pelo início da manhã. Que aprenda a fazer suspiros para adoçar a vida. Se preferir, pode cuidar das flores ou afagar um animal. Ah, correr na casa da avó para filar um pedaço de bolo também é essencial. Que encontre meias de lã para aquecer os pés no inverno  e que deslumbre-se com a beleza da chuva na vidraça. E se houver tempo, não se esqueça de me dar notícias suas.  

                  
Que seu 2011 seja tão gostoso como as pequenas coisas da vida.