domingo, 14 de novembro de 2010

E agora?

As vezes olho ao meu redor e sinto que nada disso é meu. Vejo meus gatos dormindo no sofá, ao lado das minhas almofadas coloridas. Vejo a estante com meus livros, a espada de são jorge ao lado da televisão. Observo os quatro cantos da casa e me pego pensando: será que isso tudo é mesmo meu? É como se eu vivesse uma vida roubada de outra pessoa, como se nada disso que toco e vejo fosse genuinamente meu. Tenho a sensação de que vi este local vazio, inabitado e apoderei-me dele de uma forma tão abrupta que nem mesmo dei-me conta do que ocorreu. E eu me perdi nesse momento. Não sei mais quem sou, nem o motivo pelo qual decidi ficar aqui. Mas permaneço em uma inércia desconcertante e por vezes dolorosa. No silêncio, apenas uma pergunta, quase um sussuro: "E agora?".
Em que parte da minha vida eu me perdi?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bilhetinho para a chuva

Querida amiga chuva, pode cair que eu não me incomodo viu? Não se acanhe!
ps: Não se preocupe com os que reclamam de você. Aliás, não se preocupe com os humanos, eles não valem muito a pena. Atenha-se aos animaizinhos e à natureza, que reclamam bem menos e são mais generosos.
Gradicida!

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma homenagem aos dias nublados e chuvosos.

Ontem fez um delicioso dia chuvoso e nublado em Belo Horizonte. Sempre gostei de dias fechados, temperatura mais baixa, alguma chuvinha... nada mais aconchegante. Decidi compartilhar minha opinião com amigos em redes sociais. Alguns manifestaram-se concordando, outros diziam que não há nada melhor do que um dia ensolarado.
Olha, até acho gostoso um dia de sol. Tem seu lugar. Mas eu me encontro mesmo nos dias tristes e sombrios. Ouvi certo dia de um homem com quem conversei na rua que a graça dos dias chuvosos está no fato de todo mundo fazer as "coisas" (sic)  mais devagar. Percebi então que não estava sozinha em meus pensamentos. De fato com um tempo ruim o trânsito segue mais lento, as pessoas locomovem-se com mais cautela, as ruas ficam mais vazias. O dia fica mais preguiçoso e nós também. É como se fosse uma quebra na alucinante rotina veloz que nos devora impiedosamente, dia após dia. É o momento em que atrasos são perdoados e ausências, compreendidas.
São nestes dias que me sinto mais eu.