terça-feira, 13 de julho de 2010

Da arte de sonhar

A vida adulta nos leva por estranhos caminhos! Parece que não mais é permitido sonhar. Qualquer devaneio passa a ser percebido como um problema patológico. Brincar na praça não pode. Soltar pipa é coisa de menino. Tomar sorvete se lambuzando, um ato impensável. Podemos somente viver quase que formalmente, como peças de um grande tabueiro. Uma mudança desestabilizaria este "universo ideal", o universo do adulto.
Outro dia, em uma farmácia, observei um menino que brincava rastejando do lado de fora para dentro da loja. A fachada do estabelecimento era de um material que deixava um vão na parte de baixo, espaço suficiente para uma criança passar rastejando. Pronto! O menino vislumbrou uma grande aventura, e ali ficou, até que a mãe terminasse de fazer suas compras, e claro, o censurasse. Enquanto estava na fila, imaginei o quanto aquela brincadeira era divertida para ele e senti uma ponta de inveja. Queria poder brincar como ele, sem ser chamada de louca.
Não temos mais tempo para sonhar. E quando o temos, a vida adulta nos chama para a responsabilidade e para a manutenção da formalidade.
Ninguém nunca me disse que, às vezes, ser adulto é bem chato.