terça-feira, 27 de abril de 2010

O álbum de figurinhas.

Hoje perambulando pelas ruas vi um anúncio pregado num poste em que uma loja no centro da cidade oferecia figurinhas avulsas do álbum da Copa do Mundo 2010.Imediatamente fui remetida a minha infância. Quem na minha geração nunca colecionou um álbum de figurinhas? Digo na minha geração porque não sei se as crianças de hoje o fazem com a mesma frequência. Depois da Internet para se ter a imagem de determinado jogador basta apenas pesquisá-la em qualquer site de buscas não é mesmo? Salve a tecnologia!
Quando criança eu colecionava albuns com motivos femininos ou então de algum filme ou série infantil da moda. Lembro-me do prazer quase que furtivo de rasgar o pacotinho de figurinhas ou ainda daquele momento mágico em que o jornaleiro colocava os pacotinhos em minhas mãos. Era como se todo um mundo novo se abrisse diante de meus olhos. E colar as figurinhas então? Tudo com muito zelo para que a figurinha não ficasse torta. Um trabalho minucioso , que exigia muita paciência. E achar a tão cobiçada "figurinha difícil"? Colecionar figurinhas definitivamente era um grande treino de perseverança e calma. Além do mais representou para mim o primeiro grande momento da minha vida em que entendi de verdade o significado da palavra ansiedade. Os segundos entre rasgar o pacotinho e a revelação das figurinhas ali contidas pareciam eternos! Sem contar na espera e na tentativa exaustiva de conseguir a última figurinha para fechar o álbum! Era tanta responsabilidade para uma criança!
Uma das minhas lembranças infantis mais felizes e das quais me recordo com grande carinho relaciona-se a figurinhas. Na época eu colecionava o álbum de uma boneca chamada "Bem-me-quer". Minha mãe sempre que podia me dava alguns pacotinhos e eu também os comprava aos poucos com minha mesada. Certa noite eu aguardava a visita de um tio-avô muito querido, que morava no Rio de Janeiro. Nunca vou me esqueçer dessa cena: meu tio-avô adentrando o quarto em que eu estava para me presentear com muitos pacotinhos de figurinhas para meu álbum. Eram tantos pacotinhos que vieram presos em uma fita elástica, dessas de prender maços de notas. Eu certamente não conseguiria segurá-los com uma única mão, tamanho o volume resultante do somatório dos pacotinhos. Gostaria de ter tido a oportunidade de assistir a esta cena de fora, como mera espectadora e não personagem, só para ver a minha felicidade, meus olhos brilhando e meu sorriso naquele segundo. Um momento que aos olhos de qualquer pessoa poderia passar desapercebido e até mesmo soar como bobo foi um dos momentos mais marcantes da minha vida.
É uma pena que eu não tenha guardado o álbum. Ao menos a lembrança do momento mágico ficou. Ah se ficou!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Espera

Ela estava feliz. Há tempos não tinha um dia como aquele, com tanto tempo livre. A vida corrida e tumultuada a impedia de parar um pouco e pensar sobre a própria vida e de fazer atividades simples, mas que a agradavam muito. Naquele momento ela não queria pensar em nada. Queria apenas sair, ver pessoas, se divertir. Em uma boa companhia. Ou não. Ela queria se libertar daquela rotina que a sugava para o escuro mundo da repetição.
Naquele dia chegou cedo do trabalho. Teve tempo de deitar-se preguiçosamente no sofá e assistir a um filme antigo, desses que quase não mais se vê. Desses que por insistência dos cinéfilos ainda não caiu no total esquecimento, no profundo abismo do nada.
Algumas horas mais tarde, ao término do filme pôs-se a preparar cada detalhe para o resto do dia. Escolheu cuidadosamente um vestido novo. Simples, porém muito bonito (ao menos essa era a sua opinião). Tomou um demorado banho e arrumou-se. Não sabia exatamente aonde gostaria de ir, mas sabia que precisava sair das quatro paredes que a sufocavam. Conferiu se tudo o que precisaria estava na bolsa: carteira, espelho, batom, óculos. Sim, estava tudo ali. Deu de comer aos animais, deu uma última organizada na casa. Fechou as janelas. Ligou a televisão. Sentou-se no sofá para esperá-lo.
Ah eu ainda não mencionei que ela o esperava? Pois ela o esperava . Esperava aquele que seria sua companhia nesta noite de libertação, nesta noite em que sua rotina seria quebrada. Mais do que nunca essa presença era muito bem-vinda.
Enquanto esperava ela pensava. Se ganhasse dinheiro por pensar certamente seria muito rica. Mas não era. Vivia com algum conforto, porém com as limitações de qualquer pessoa que vive só e depende unicamente do próprio salário para prover seu sustento. Mas ela não reclamava de dinheiro. Na verdade ela precisava de pouco para ser feliz. E ela sabia que o que ela mais precisava o dinheiro não poderia comprar.
Decidiu fazer algumas anotações em um caderno, enquanto o esperava. Sempre gostou de escrever, mas depois do computador poucas vezes voltara a escrever no papel. Desta vez o fez e a lápis. Escreveu palavras soltas e frases desconexas que mais pareciam recortes. Deixou o caderno de lado, foi até a cozinha e bebeu água. Na televisão um político falava sobre suas propostas para o país, mas definitivamente ela não se preocupava com o país naquela noite.
O tempo passava e ele não chegava. Tentou localizá-lo pelo telefone, sem sucesso. Ficou preocupada por um instante, mas logo se acalmou pensando que poderia tratar-se somente de um atraso, algo tão comum nas grandes capitais.
Levantou-se do sofá e andou pela sala, a procura de algo interessante para fazer. Enontrou suas caixas de incenso. Acendeu um que, segundo a embalagem, favorecia a paz espiritual. Talvez um pouco de paz fosse adequado para aquele momento de espera. O cheiro exalado era extremamente agradável. Pegou um livro e deitou-se no sofá, colocando-se de modo a não amassar o vestido. Lembrou-se que esquecera de colocar brincos. Voltou ao quarto, escolheu um par de argolas. Voltou ao sofá. Não tinha nenhum relógio em casa, somente o relógio do celular. Entretanto conseguia claramente ouvir o barulho de um relógio que fazia tic-tac, tic-tac, tic-tac.... o tempo passava, o tempo passava, o tempo passava....
Pensou em todas as possibilidades que poderiam justificar tamanho atraso. Em um dado momento decidiu não mais procurar tais justificativas. Na vida nem sempre é possível explicar tudo e por isso ela apenas decidiu aceitar. Voltou ao quarto, tirou a roupa, os brincos e lavou o rosto. Vestiu a camisola e prendeu os cabelos. Escolheu mais um filme para que a noite não passasse em vão. Estava sozinha e precisava fazer daquela noite especial. Mas já era tarde demais para sair. Tarde demais para ligar para quem quer que fosse. Deitou-se na cama, cobriu-se. O filme já ia começar. Dúvidas? Justificativas? Não, não era necessário. Ela já sabia que ele não viria.
E ele não veio.


domingo, 18 de abril de 2010

A magia das palavras

Nunca pensei em me tornar escritora ou algo do gênero. Sempre gostei de ler e escrever, porém considero que meus escritos sempre foram clandestinos. Na maior parte das vezes eu fui a única leitora deles.
Há algum tempo com este blog exercitei-me um pouco com a escrita com os textos da sessão "Brincando com as palavras". Foram textos que parece que não escrevi. É como se eles simplesmente já existissem e eu os tivesse unicamente transmitido para o papel. Hoje eu os leio eu não consigo entender como os escrevi, embora me recorde muito bem do que sentia quando cada uma das palavras lá existentes ganharam forma e vida, saindo de um lugar qualquer para transformar-se em um texto.
Surge-me então uma oportunidade muito interessante. Pelo twitter sou informada de que a escritora Maíra Viana, conhecida com a "menina das palavras" daria uma oficina literária para principiantes. Naquele momento pensei: "Será que não é essa a oportunidade que faltava?" Por outro lado senti um grande receio de não ser capaz de acompanhar as atividades, de não ter capacidade para tal.
De qualquer forma decidi que seria melhor saber mais detalhes. Fui até o site da escritora, belíssimo por sinal, o http://www.mairaviana.com.br/. Lá vi que as oficinas ocorreriam em três finais de semana consecutivos em São Paulo.
Pô Maíra! Aí você me quebra!! (Pensei na hora). Impossível....
Até que lendo o site verifico que não, ela não se esqueceu daqueles que, como eu, não residem na maior cidade do país! Tchan, tchan, than, tchan!!! A oficina teria a versão online!!! :D
Pronto! Era o que eu precisava. Agora escrevo aqui minha alegria e ao mesmo tempo meu medo! Será que consigo?
Aiaiai...
Vamos lá.... vamos brincar com a menina das palavras....

domingo, 11 de abril de 2010

Post sobre o nada

Hoje eu fiquei com vontade de vir aqui escrever. Mas daí não tive tempo. E daí que tava frio. E por isso fiquei com preguiça. E enrolei. Aí ficou tarde. E daí resolvi não escrever mais nada.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Eu vou voltar

Que ótimo! Em 2010 um único post!!!!
Eu vim aqui só dizer que eu vou voltar.
Ainda não sei quando nem como, mas eu sempre volto. Pessoas sem graça e previsíveis são assim.


Não, não me abandonem, não me desesperem, porque eu não posso ficar sem vocêêêêêêêêêss!!!!