segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Antes que o ano se acabe

Não ano, não termine antes que eu possa deixar o último post!!!



PS: Este ainda não é o último...vim só espanar as poeiras e tirar as teias de aranha (eca)...


Volto antes que o ano se acabe.

domingo, 14 de novembro de 2010

E agora?

As vezes olho ao meu redor e sinto que nada disso é meu. Vejo meus gatos dormindo no sofá, ao lado das minhas almofadas coloridas. Vejo a estante com meus livros, a espada de são jorge ao lado da televisão. Observo os quatro cantos da casa e me pego pensando: será que isso tudo é mesmo meu? É como se eu vivesse uma vida roubada de outra pessoa, como se nada disso que toco e vejo fosse genuinamente meu. Tenho a sensação de que vi este local vazio, inabitado e apoderei-me dele de uma forma tão abrupta que nem mesmo dei-me conta do que ocorreu. E eu me perdi nesse momento. Não sei mais quem sou, nem o motivo pelo qual decidi ficar aqui. Mas permaneço em uma inércia desconcertante e por vezes dolorosa. No silêncio, apenas uma pergunta, quase um sussuro: "E agora?".
Em que parte da minha vida eu me perdi?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bilhetinho para a chuva

Querida amiga chuva, pode cair que eu não me incomodo viu? Não se acanhe!
ps: Não se preocupe com os que reclamam de você. Aliás, não se preocupe com os humanos, eles não valem muito a pena. Atenha-se aos animaizinhos e à natureza, que reclamam bem menos e são mais generosos.
Gradicida!

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma homenagem aos dias nublados e chuvosos.

Ontem fez um delicioso dia chuvoso e nublado em Belo Horizonte. Sempre gostei de dias fechados, temperatura mais baixa, alguma chuvinha... nada mais aconchegante. Decidi compartilhar minha opinião com amigos em redes sociais. Alguns manifestaram-se concordando, outros diziam que não há nada melhor do que um dia ensolarado.
Olha, até acho gostoso um dia de sol. Tem seu lugar. Mas eu me encontro mesmo nos dias tristes e sombrios. Ouvi certo dia de um homem com quem conversei na rua que a graça dos dias chuvosos está no fato de todo mundo fazer as "coisas" (sic)  mais devagar. Percebi então que não estava sozinha em meus pensamentos. De fato com um tempo ruim o trânsito segue mais lento, as pessoas locomovem-se com mais cautela, as ruas ficam mais vazias. O dia fica mais preguiçoso e nós também. É como se fosse uma quebra na alucinante rotina veloz que nos devora impiedosamente, dia após dia. É o momento em que atrasos são perdoados e ausências, compreendidas.
São nestes dias que me sinto mais eu.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Rotina

Ando tão inserida na rotina que não tenho mais encontrado tempo para sonhar. Isso me faz mal. É como se um veneno tomasse conta de todo o meu corpo lentamente, sem que eu nada pudesse fazer. Ou como se eu  me afogasse devagar a ponto de perceber a água adentrando em meus pulmões vagarosamente, sem entretanto, ter força suficiente para voltar à superfície.

Prá onde foi a poesia da minha vida?

sábado, 9 de outubro de 2010

Minutos preciosos

A solidão nem sempre é um pesadelo. Na verdade,  é uma solução. Ler um bom livro, escrever, assistir um filme, ouvir música, sonhar acordada, dormir. Simplesmente ficar horas e mais horas fazendo nada e tudo ao mesmo tempo. Corpo em repouso, cabeça a mil por hora. Atividades que até posso executar acompanhada, mas que quase sempre, prefiro fazer em meus momentos de solidão.
Às vezes é preciso estar só para sermos nós mesmos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Do alto da minha janela

Do alto da minha janela eu vejo pessoas. Vejo mulheres regando plantas em suas varandas, vejo crianças que brincam, vejo homens lendo jornal. Vejo casais que se amam, que andam de mãos dadas e caminham lentamente. Vejo senhoras passeando com cachorros, vejo amigos que sentam-se junto na praça e vejo vendedores ambulantes.
A verdade é que tudo isso eu vejo dentro de mim. É o que eu gostaria de ver. Quem mora em um arranha-céu não consegue captar todas essas nuances do cotidiano das ruas. O que vemos das janelas são pontos tão pequenos, mas tão pequenos, que mais se assemelham a manchas vagantes, desprovidas de qualquer aspecto humano.
Se bem que o ser humano às vezes é tão mesquinho que talvez daqui de cima eu consiga vê-lo em seu melhor ângulo: o pequeno.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A menina que a esfinge não decifrou

Dedicado a L.M.

Alguns diziam que tratava-se somente de uma menina estranha. Outros a viam como um ser misterioso. Um outro grupo, contudo, achava que a jovem esquivava-se do mundo como uma forma se de proteger. Não faltavam hipóteses que tentassem explicar aquele ser tão distante e incapturável.Poucos teriam a chance de se aproximar e descobrir o real motivo de sua aparente “estranheza”. Vivia como se fosse alheia aos acontecimentos a sua volta.

Na verdade, não tinha muita noção acerca do tempo que as pessoas perdiam pensando nela. Achava que sua presença era tão indiferente nos ambientes que freqüentava que nunca se dera conta dos questionamentos que sua simples passagem gerava. Afinal, “quem é ela?”, era a pergunta que todos se faziam.

E ela? O que pensava sobre isso? Talvez de fato não tivesse a dimensão do que os outros pensavam a seu respeito. Mas algo a incomodava. Por diversas vezes, sentia que não pertencia a si própria e que havia nascido em um mundo errado. Talvez, não fosse nem mesmo para ser uma humana. Talvez, não fosse nem mesmo para ter nascido.


Falava pouco e observava muito. Gostava de descarregar seus sentimentos escrevendo. O papel não a questionaria, nem a chamaria de estranha. E ali, naquele momento solitário, ela, uma caneta e uma folha de papel, sentia que estava aonde deveria estar. Ali não seria observada, julgada e rotulada. Ali poderia ser ela mesma.


Algumas pessoas mais sensíveis conseguiam vê-la de outra forma, e inevitavelmente, se apaixonavam por ela. Tentar decifrar o que estava por detrás de seus olhos caídos e sempre com ar de cansaço e indiferença era tarefa para poucos. Os que se aventuraram nesta tarefa estão até hoje tentando. Ela não é facilmente decifrável.



* Título Parafraseado de Clarice Lispector

Isalina *

Isalina era uma jovem mulher de aproximadamente trinta anos. Detentora de uma beleza singela, mas marcante: morena, cabelos lisos e compridos, olhos negros, traços indígenas. Apesar de sua formosura as marcas de toda uma vida de sofrimento estavam estampadas em sua pele, quase que como em uma denúncia de tudo pelo qual havia passado.

Às vezes parava e pensava na vida. Lembrava-se da forma distante e fria como fora criada. Até hoje não sabia se em algum momento a mãe a teria amado. Lembrava-se dos irmãos mais velhos, que por tantas e tantas vezes a violentaram e a machucaram. Nunca conhecera o pai. A lembrança mais carinhosa que tinha da infância eram os momentos em que sua avó penteava seus cabelos, de uma forma tão bruta, a ponto de deixá-la com dor de cabeça por horas. Mas isso não importava, ao menos estava sendo, enfim, cuidada por alguém.

Em sua incessante busca por amor, deitou-se com os mais diversos homens. Diante do medo, das dúvidas e das incertezas, por duas vezes, optou por interromper vidas que se iniciavam em seu ventre. Já era mãe de uma menina, fruto de seu primeiro grande fracasso afetivo e não se sentia capaz de dar amor a mais alguém. Como dar aquilo que não se tinha?

Isalina sofria e por algumas vezes pensou em acabar com a própria vida, mas faltava coragem para fazê-lo. Depois de muitos encontros e desencontros se viu mais uma vez esperando um bebê. Desta vez decidiu fazer diferente. Não queria perpetuar o ciclo de indiferença e violência que vivera em sua infância. Levou a gestação adiante e tentou ser uma boa mãe, tanto para a filha que já tinha como para a criança que estava por vir.

O que esta mulher tão calejada ignorava é que não existem cotas definidas de sofrimento para cada ser humano. Achava que já havia sofrido tudo o que seria possível a uma pessoa sofrer em vida, mas foi mais uma vez duramente golpeada pelo destino: seu filho nasceu e viveu neste mundo por apenas dezessete dias. O amor novamente lhe escorria pelas mãos.

Isalina prossegue a vida, em busca de um pouco de amor. Se olharmos atentos é possível encontrá-la nas ruas, nas esquinas e nas praças, revirando todos os espaços, à procura. À procura de qualquer sentimento que ao menos se assemelhe ao amor.


* Conto baseado na história real de uma paciente. O nome é fictício.

* Quarto texto que escrevi para a oficina de textos da Maíra Viana. Para saber mais, clique aqui http://www.mairaviana.com.br/lerNoticia.php?idnoticia=35

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Maria *

Maria nasceu em um dia de muita felicidade. Sua família apesar de humilde aguardava a sua chegada com muita alegria. Desde cedo aprendeu a cuidar da terra, dos animais e das tarefas domésticas, para ajudar os pais no sustento da casa. Embora sua rotina de trabalho fosse intensa, não reclamava. Entre uma tarefa e outra perdia-se pelo matagal brincando com os irmãos, nadava pelos rios da região e corria pelo campo o mais rápido que podia. A noite , após o término dos afazeres, jantava com os irmãos e antes de dormir contava estrelas no céu.

Sonhava com o dia em que seu pai escolheria um bom rapaz, por quem se apaixonaria perdidamente. Vivia em uma época em que não era permitido às moças escolherem seus maridos, mas confiava plenamente na decisão de seu velho e sábio pai. Imaginava exatamente como seria sua casa: telhados vermelhos, janelas e portas azuis, paredes brancas. Se tivesse dinheiro teria também uma enorme criação com muitos cavalos.

Os anos se passaram e Maria transformou-se em uma linda mulher. Cabelos negros, olhos brilhantes e sorriso largo. Apesar de já ter quase vinte anos não era difícil encontrá-la escondida no mato brincando com as crianças das redondezas. Andava quase sempre descalça e com os cabelos desarrumados. Sua mãe sempre lhe chamava a atenção: “Maria, você parece um moleque!”. A jovem limitava-se a sorrir e a abraçar a mãe o mais forte que podia.

No dia em que completou vinte anos recebeu uma inusitada visita. Foi apresentada a seu noivo, aquele que a levaria para viver na casinha de telhado vermelho de seus sonhos. Ao encontrá-lo percebeu que estava diante de um jovem muito rico, filho de um importante comerciante da cidade. Não era o homem que povoava seus sonhos mas sentia-se incapaz de questionar o desejo de seu pai. Seguindo a tradição casou-se em uma cerimônia rica, com o mais imponente vestido já visto. Nunca mais pôde andar descalça na terra e nem correr pelo mato. Agora era uma respeitada senhora da alta sociedade. Aqueles que conheceram a menina Maria correndo pelo campo dizem que muito pouco dela restou para contar a sua própria história.




* Terceiro texto que escrevi para a oficina de textos da Maíra Viana. Para saber mais, clique aqui http://www.mairaviana.com.br/lerNoticia.php?idnoticia=35

domingo, 12 de setembro de 2010

Uma sexta-feira londrina *

O despertador tocou. Levantou a cabeça suavemente na tentativa de descobrir se já havia acordado ou se estaria apenas sonhando. Os primeiros raios solares atravessando a cortina mostravam que já havia amanhecido. Escovou os dentes, lavou o rosto, penteou os cabelos. Após um breve café vestiu-se de forma apressada. Ao abrir a janela percebeu que o dia estava claro, porém frio. Londres era uma cidade de baixas temperaturas, cinza e naquele dia estava ainda mais monocromática do que o habitual.

Caminhou por algumas quadras até chegar a estação de metrô. Conseguiu um assento, acomodando-se ao lado de uma senhora que tricotava. Abriu a bolsa e retirou uma foto recortada de um jornal. Durante muitos meses idolatrava este homem a distância. Já havia enviando-lhe algumas cartas declarando seu amor, mas nunca obteve resposta. Ele também nunca retornou suas ligações, mas estava convencida de que a secretária não repassava seus inúmeros recados e não entregava seus escritos. Ela sabia que era correspondida. O homem era um famoso deputado e existia uma grande diferença de idade entre eles. Estava ciente de que não seria fácil ficar ao lado de sua grande paixão, mas leu em muitos livros que nada podia contra um grande amor. Cansada de esperar decidiu que naquela sexta-feira cinza o encontraria pessoalmente, de modo que nada pudesse atrapalhar o belo encontro entre duas almas apaixonadas. Por isso estava ali, naquele vagão de metrô, com a foto nas mãos.

Enquanto percorria seu trajeto pensava no encontro que estava por vir. Aos 21 anos de idade sentia-se uma mulher madura e sabia plenamente o queria da vida. Planejava casar-se, ter muitos filhos e viver em uma casa ampla e arejada. Criaria as crianças com muito afeto ao lado de um marido forte, estável e que desse segurança a família. Aquele senhor grisalho, experiente, sério e correto, vestindo seu sobretudo preto parecia ser o homem ideal. Lembrou-se neste momento do dia em que se apaixonou pelo deputado, quando o viu pela primeira vez discursar pela TV. Desde então sonhou dia após dia com o instante em que finalmente estaria nos braços de seu verdadeiro amor.

Enfim o tão desejado momento chegou. Estava diante do prédio alto em que os políticos londrinos mantinham seus gabinetes. Perguntou na portaria pelo deputado e foi informada de que ele estava em uma atividade externa. Sentou-se perto de um canteiro de flores, do outro lado da avenida. Assim teria uma visão plena da entrada do edifício.

Após uma longa espera o político chegou. Alto, forte, grisalho, sério, trajando um sobretudo preto. Exatamente como ela imaginava que ele estaria no dia do primeiro encontro. Apressou-se em sua direção. Segurou-o pelo braço e sorrindo revelou que ela era a mulher que tantas vezes o escrevera e telefonara e que estava ali para que pudessem enfim viver um grande amor. O homem nada entendeu, fez sinal para que ela se afastasse e a chamou de “louca”. Naquele segundo o mundo ruiu sob seus pés. Em um misto de fúria e desapontamento abriu a bolsa, pegou um punhal que carregava consigo e desferiu um golpe no peito de seu amado. Ao vê-lo caído e ensangüentado correu o mais que pôde. E não olhou para trás.




* Segundo texto que escrevi para a oficina de textos da Maíra Viana. Para saber mais, clique aqui http://www.mairaviana.com.br/lerNoticia.php?idnoticia=35

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cotidiano *

Todos os dias ela acorda cedo. Não por desejo ou hábito mas sim pela necessidade. Sabe que um longo dia se inicia e pouco pode fazer para mudar sua situação. Ainda sonolenta percorre o caminho entre sua cama e a cozinha para preparar um café. O caminho não é longo, já que mora em um apartamento pequeno. Porém neste momento qualquer passo torna-se um sacrifício quase que desumano. Enquanto prepara o café veste-se apressadamente. Toma-o puro e sai as pressas. Não pode novamente perder o ônibus, mais um atraso no trabalho seria imperdoável.
O ônibus como sempre está lotado. Passageiros lendo, conversando, dormindo. Segue seu trajeto observando as pessoas nas ruas. Gosta de imaginar o que elas fazem, quem são, quais são seus sonhos e medos. Seu devaneio é subitamente interrompido ao perceber que seu ponto de desembarque estava próximo.
Chega ao trabalho. Portaria, cumprimentos, escadas, prontuários, computador, pacientes. Seu trabalho é ouvir o problema dos outros e tentar auxiliá-los. Gosta muito do que faz, embora por vezes sinta-se cansada. Fim do primeiro turno. Almoço. Fila, cartão de crédito, café. Outro ônibus, outro trabalho.
Inicia-se o segundo turno: mais pessoas clamando por ajuda. Pessoas que depositam nela toda a sua confiança e em muitas vezes toda a esperança, como se ela fosse detentora de uma fórmula mágica capaz de solucionar os problemas de toda a humanidade. Mais prontuários, fichas, carimbos, canetas, relatórios. Café. Um lanche rápido, enquanto escreve.
Anoitece e ela ainda está no trabalho. Guarda seus pertences e espera pelo ônibus. Enquanto observa o céu pensa em quanta coisa precisa fazer ou quer fazer, mas não lhe sobra tempo. Segue todo o trajeto pensativa e como de praxe observando os passantes. Abre a porta de casa, joga a bolsa no sofá. Coloca comida para os gatos. Pega um copo de água na geladeira e senta-se diante do computador. O relógio marca 21:00. Em poucas horas o hoje não mais existirá. Sozinha em seu apartamento pensa nas pessoas que ajudou naquele dia. Gostaria de ir ao cinema, sair para passear ou simplesmente ver um filme, mas o cansaço a impede. Amanhã será um novo dia. Existirão mais pessoas a serem ajudadas, mais ônibus, mais cafés, e mais prontuários. Mas a portaria, a escada e os trajetos serão os mesmos.


* Primeiro texto que escrevi para a oficina de textos da Maíra Viana. Para saber mais, clique aqui http://www.mairaviana.com.br/lerNoticia.php?idnoticia=35

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sábado.

Sábado, 19:15. Embora o calendário apontasse a chegada da primavera, o cronômetro ainda marcava baixas temperaturas. A moça esperava a chamada para o embarque de seu vôo, apoiando o queixo nas mãos, enquanto folheava preguiçosamente uma revista. Trabalhava como contadora mas quando era criança queria ser bailarina. Morava em um arranha-céu, gostava de andar descalça e tinha o desejo de retomar as aulas de teatro, que abandonara ainda jovem.

O moço estava sentado do lado oposto. Por trás de seus grossos óculos de aro preto, lia as notícias do jornal do dia. Era advogado de uma pequena empresa, mas quando menino queria ser astronauta. Morava em uma casa bonita, porém pequena, gostava de ler sentado em um banco de praça, aos domingos, e tinha o desejo de integrar uma banda de jazz.

Se o moço e a moça se encontrassem, viveriam juntos em uma simpática vila. Passeariam por muitas praças, e enquanto ela andaria descalça pelo gramado, ele leria. Ela teria incentivo para ingressar em um grupo de teatro. Ele teria iniciado aulas de saxofone. Sonhariam acordados juntos, relembrando a infância, quando ela queria ser bailarina, e ele, astronauta.

Mas nada disso aconteceu. A voz robotizada típica dos alto-falantes de aeroportos anunciou o vôo da jovem. Pouco tempo depois, a mesma voz retornou e chamou o embarque do rapaz, que seguiu para o lado oposto do saguão.