quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O lugar

Ela.
Sim, a menina.
A menina enfim estava aonde sempre achou que deveria estar. Lá, naquele lugar de sonhos. No lugar de volúpia, prazer, relaxamento. Encontro. Sintonia. Afinidade. Amor. Talvez estas pudessem ser algumas das palavras que melhor descreveriam o que ela sentia naquele instante. Êxtase. Certeza.
Ela ainda não sabia como. Só sabia que precisava se manter naquele lugar. A qualquer preço, a qualquer custo. Sua vida, sua felicidade dependiam de sua capacidade para tal. E ela estava decidida a não deixar a própria vida passar assim, na mesma velocidade dos cosmos, da luz e das idéias malucas que habitavam o mundo. Ela não sabia muito sobre a vida. Só tinha uma única certeza: precisava voltar!
Precisava!
Não sabia como.
Mas sabia.
Sabia.
Sabia?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rio de Janeiro: Pré-viagem.

Esta semana volto ao Rio de Janeiro para resolver questões acadêmicas. Digo "volto" pois sinto como se eu ainda morasse lá, e somente vivesse em BH por um momento definido. A ansiedade pelo retorno é imensa. Só de pensar em sentir o cheiro daquela cidade já fico ensandecida. Lembro de um grande amigo, mineiro apaixonado pelo Rio, que diz que o Rio tem um cheiro que lhe é peculiar. Não é exatamente o cheiro do mar, nem algum cheiro da sujeira (sim, temos que reconhecer o lado ruim da cidade) mas simplesmente o cheiro do Rio. Não sei se todo carioca tem a mesma experiência olfativa que eu.
Pela primeira vez vou desembarcar no aeroporto Santos Dumont. O Galeão já conheço bem, e muito bem! Já perdi muitos vôos ali, já dormi no chão na época do "Caos Aéreo", já tomei café em todas as cafeterias e já comprei souvenirs nas lojinhas, como se fosse uma turista. O Santos Dumont é o cúmulo da praticidade, o aeroporto mais "mão na roda" que existe, muito mais do que o da Pampulha, aqui em Belo Horizonte.
Hoje, no entanto, embarco em Confins. O famoso aeroporto de BH que não fica em BH. Aliás, fica é longe prá burro. Nos confins do judas, literalmente.
A sensação que tenho em ir ao Rio é algo que se assemelha ao reencontro com aquilo que mais amamos. Rever um parente querido, um lugar especial, abraçar aquela pessoa, ganhar um beijo, um afago. É mais ou menos isso. O Rio me abraça. É isso não é nenhum slogan publicitário!
Muitas pessoas temem o Rio. Eu me sinto protegida lá. Já estou aqui pensando nas coisas que quero fazer: além da rotina acadêmica, quero tirar um tempinho para caminhar no calçadão, tomar um chopp no Leme Light (que de light nada tem) , ir a Livraria da Travessa, passar na Devassa, andar, andar, andar. Andar pelas ruas do Rio é meu sonho de consumo cotidiano. Quero rever muitas pessoas, pessoas das quais sinto muita falta. Pessoas que faziam os meus dias mais felizes.
Não posso reclamar de Belo Horizonte, a cidade que tanto me deu. Existe até uma certa "culpazinha" de não conseguir sentir pela cidade que me acolheu o mesmo amor que sinto pela minha terra natal. (Embora nem tenha passado lá a maior parte da minha vida). Mas não tem muita explicação. O Rio é o Rio e ponto. Nada se compara ao meu ver.

Belo Horizonte hoje é a minha cidade. Mas eu nunca fui dela.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O velho diário

Sempre ouvi dizer que escrever é uma forma importante de dar vazão aos nossos sentimentos. Na adolescência tive o conhecido diário, fiel companheiro de todo menina jovem. Ou nem tão jovem assim. Com o passar dos anos, por preguiça acabei abandonando meu velho diário de papel. Relendo-o encontro passagens que hoje já não fazem a menor importância para mim, mas que certamente no momento em que escrevi eram os grandes dilemas da minha vida. Preocupações com as baixas (baixíssimas) notas em Matemática, com determinado menino pelo qual eu estava apaixonada e não me dava bola e desavenças com colegas da escola por algum motivo banal: todas essas "grandes questões"estavam ali, registradas e documentadas. O diário era ainda complementado com figuras, fotos e desenhos que retratavam o que eu sentia ao escrever determinado relato.
Já pensei em me desfazer desse diário por diversas vezes. Ainda não tive coragem. Este diário é daqueles que tem um cadeado para impedir que terceiros o leiam. A chave era tão frágil que um simples grampo de cabelo o abriria facilmente. Não faço idéia de onde ela foi parar.
Nos últimos 04 anos mudei de endereço duas vezes. Nas mudanças sempre me preocupei em não deixar para trás os livros mais queridos, os DVD's e claro, o diário. Hoje guardo-o em uma pasta, junto com papéis importantes.
Ainda não consegui decidir o destino dele. Talvez o queime no final do ano. Há mais ou menos dois anos eu e algumas amigas criamos um ritual batizado de "Pira Dionisíaca". No dia 31/12 as 18:00 nos reunimos e em um vaso de barro colocamos tudo aquilo que queremos deixar para trás. Textos, bilhetes, nomes de pessoas, situações, frases, pequenos objetos...vale tudo! Após abastecer o vaso colocamos fogo. Enquanto as cinzas queimam o que não mais nos importa permanecemos em silêncio, em um momento de profunda introspecção. Refletimos sobre o que queimamos e sobre o que pretendemos fazer adiante. Ao término jogamos o vaso e as cinzas fora, em uma mata qualquer.
Que me atirem pedras os que não acreditam ou acham rituais uma bobagem. Receber mais uma crítica não fará muita diferença. Minha preocupação atual é se queimo ou não o velho diário. Enquanto não decido sigo escrevendo mesmo que o que eu escreva não faça o menor sentido.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ho Ho Ho, Papai-noel já chegou!

Hoje me dei conta de que o final do ano chegou. Em uma tarde de tédio em meio a um feriado prolongado achei que seria uma boa idéia ir até o shopping, pegar um cinema, coisa básica do gênero. Nunca tive tanta certeza de que fizera uma escolha tão errada na vida: shopping lotado, calor inusportável e o pior.... o papai-noel já estava lá.
Surreal num país tropical como o Brasil obrigar um pobre velhinho a ficar horas sentado, vestido com uma roupa quente e usando uma barba branca postiça, posando sorridente para centenas de fotos.
Claro, só por essa situação já me bateu aquele desespero. Lugares cheios definitivamente não são o meu forte. Ainda mais se o papai-noel está lá.
Mas a situação que me deixou mais tensa foi dar-me conta de que o Natal está aí e que preciso comprar a porcaria dos presentes. Encarar shoppings lotados??? Ah ném...
Das duas uma: ou me programo para comprar tudo mais cedo este ano ( promessa de anos anteriores, jamais cumprida) ou compro tudo pela internet.
Chega de sofrer em meio a multidão.
O ano está acabando, mas minha vida não precisa acabar junto.