quarta-feira, 23 de setembro de 2009

No ponto de ônibus


Estava hoje eu voltando para casa, após sair do trabalho. Como de costume estava no ponto de ônibus com fones no ouvido e um livro na mão. Ouvir música e ler sempre foram hábitos que me acompanharam. Quando estou esperando um ônibus ou dentro de um é muito comum fazer as duas coisas ao mesmo tempo, ou ao menos uma delas.
Não sou uma pessoa antipática e mal-humorada, ao menos não me considero assim. No geral gosto de conhecer novas pessoas e conversar, mas hoje especialmente não estava muito para papo. As vezes isso acontece e acabo ficando mais fechada no meu canto.
Pois bem, lá estava eu no ponto de ônibus com os fones no ouvido, lendo um livro. Uma moça chega perto e pergunta algo que não consigo ouvir por causa da música. Tiro os fones de ouvido. O seguinte diálogo ocorre:

Eu: O quê?

Moça: Você já está aqui há muito tempo?

Eu: Não, acabei de chegar.

Fim de papo. Coloco os fones novamente. A moça fica atrás de mim, de modo que eu não consiga vê-la. De repente sinto uma mão nas minhas costas. A moça estava tentando ler uma frase que tenho tatuada nas costas. Tiro novamente o fone do ouvido e fecho o livro:

Moca: Ah que legal, o que está escrito?

Eu: "Que meus inimigos tenham olhos e não me vejam". É um trecho de uma oração de São Jorge.

Moça: Nossa que legal. Doeu muito?

Eu: Um pouco, mas dá para suportar.

Fim de papo novamente. Recoloco os fones no ouvido. A moça insiste em conversar. Desisto da música, desligo o mp3 e guardo os fones. Coloco o livro na bolsa. Apesar de realmente estar muito indisposta para o papo, tento ser simpática. Como a moça estava vestida com roupas de ginástica e uma mochilinha nas costas pergunto:

Eu: Está indo a Academia?

Moça: Ah não, quem me dera poder ir, é muito caro. Lá no meu bairro tem uma que custa 60 reais, é muito caro.

Neste momento senti-me a pior das criaturas por frequentar uma academia que custa o dobro deste valor. É estranho sentir vergonha por algo que fazemos e que não desabona em nada nossa conduta, mas me senti muito mal em poder fazer algo que o outro tanto queria fazer e não pode. Daí limitei-me a dizer:

Eu: Sim, é muito caro.

Enfiei a cara no livro e não consegui mais ser simpática. Já não estava para papo e ainda acontece uma dessas. Meu sexto sentido é mesmo muito porreta!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Encontros e despedidas.


Como de praxe em um feriado prolongado, fui visitar a família em Juiz de Fora. Toda viagem em feriado prolongado precisa ser meticulosamente planejada, a começar pela compra da passagem, que deve ser realizada com pelo menos 03 dias de antecedência. Fui até a rodoviária, encarei aquela fila e garanti a minha. Decidi viajar sábado quase de madrugada, as 06:15. Assim chegaria ao ônibus com tanto sono que dormir durante o trajeto seria certo. Claro que não deu outra!
Durante o trajeto vim observando as pessoas. As que aguardavam seus ônibus na rodoviária, as que deixavam alguém que iria viajar, as que acenavam pela janela, as que dormiam em cima de bolsas e malas, as que falavam ao celular.... é bastante curioso pensar nesses ambientes de passagem, como rodoviárias e aeroportos. Ali são vividos momentos de muita alegria e muita tristeza. São chegadas, partidas, encontros e despedidas.
Já na rodoviária de Juiz de Fora vi uma moça que chorava muito. Fiquei imaginando o motivo de tanta tristeza. Estaria partindo e deixando para trás algo ou alguém que muito amava? Estaria indo para algum local que não queria ir? Teria recebido uma notícia ruim? Passei pela moça como se não a tivesse visto e segui adiante.
É sempre bom voltar e rever aqueles que amamos. Porém quando nos tornamos adultos e temos uma casa para cuidar e uma vida própria esses momentos acabam ficando muito reduzidos. Morando em cidades diferentes a situação se complica ainda mais. Como o tempo é escasso, o negócio é otimizar o tempo. Aproveitar ao máximo a presença dos que amamos.
Fico um pouco incomodada com a capacidade que as pessoas têm de perder essas oportunidades. As vezes por preguiça, as vezes por criarem confusões e brigas desnecessárias. Não entendo como um parente pode não falar com o outro. Não consigo me imaginar sem manter contato com aqueles que amo.
Após um dia em Juiz de Fora já era hora de voltar. Novamente a odisséia da rodoviária. Gente, muita gente. Estrada lotada. Acidentes. Engarrafamentos. Calor. Cansaço. Mas a certeza de que fiz o que precisava ser feito. A certeza de que, mesmo que por tão pouco tempo, estive mais perto dos que amo.
E a vida segue....