terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Telefone Vermelho


Tem dias que a gente acorda com vontade de não sair da cama. Tem dias que a gente acorda com vontade de comer pão com queijo na chapa. Tem dia que a gente acorda querendo dominar o mundo, e dias que a gente acorda querendo morrer.
Eu hoje acordei com vontade de comprar um telefone vermelho.
Sabe aqueles modelos mais antigos? Pois é, daquele mesmo. Que a gente precisava enfiar o dedo em cima do número correspondente e girar até bater com o dedo no início do disco? Discar o número 9 era uma tarefa quase que braçal!
Lembro-me de ter usado um telefone destes em 3 situações e lugares distintos: todos envolvendo pessoas que se estivessem vivas teriam mais de 70 anos! Uma delas ainda está viva e está com quase 80. Trata-se da minha avó materna. Na casa dela tinha um desses telefones quando eu era criança, mas eu quase não o usava, pois sempre que ia passar férias na casa dela ia com minha mãe, logo não precisava me comunicar com ninguém. ( Para uma criança da minha geração comunicar-se com a mãe estava de bom tamanho).
Meus avós paternos também tinham um telefone destes. Quando passava as férias com eles no Rio de Janeiro aí sim eu me esbaldava!! Ligava para a minha mãe quase que para ter somente o prazer de girar o disco repetidas vezes! O telefone ficava num móvel que foi criado especificamente para telefones, parecido com uma cadeira acoplada a um nível mais elevado, aonde ficava o telefone. Era espaço suficiente para uma pessoa sentar-se e falar ao telefone. Neste nível mais elevado ficava o aparelho e agendas, listas telefônicas. Não sei o nome deste móvel.
O último local que me recordo de ter usado um telefone destes foi na casa de uma tia-avó, que morava em Juiz de Fora-MG, cidade em que passei a maior parte da minha vida. O telefone dela ficava na parte mais alta de uma estante que pegava toda a parede da sala, o que nos obrigava a falar de pé. Algumas vezes eu chegava do colégio e passava na casa dela. Em alguns momentos cheguei a ficar com ela a noite para não ficar sozinha em casa, já que minha mãe trabalhava até mais tarde. Lembro-me como se fosse hoje dela me recebendo com ovos mexidos com queijo ralado para o lanche. Nunca mais consegui comer ovos como aqueles. Ninguém faz igual. Lembro-me do robe azul que ela usava, dos cabelos brancos, longos e muito lisos presos em um coque. Do cheiro de casa de "vó". Dos retratos em Preto e Branco pelas paredes. Lembro-me de cada detalhe da casa dela.
Talvez por isso eu queira tanto este telefone. Seria um meio capenga de trazer essas pessoas de volta prá perto de mim, mesmo que em minhas lembranças.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

São tempos difíceis para os sonhadores.
















Não é difícil passar por mim na rua sem ser visto. Sempre ando com a cabeça nas nuvens, pensando em algo, buscando soluções ou na maioria das vezes criando mais problemas. Ou estou pensando de uma forma tão introspectiva que não me dou conta do que acontece ao meu redor ou pego-me observando algo ou alguém com tanto afinco que do mesmo modo o que estiver ao meu redor pouco me chamará a atenção.
O fato é que só esta semana ouvi de três pessoas a seguinte frase: "Ah, te vi sei lá aonde, acenei, mas você não me viu". Certamente não vi. Claro que tenho a capacidade (e a uso muito) de fingir que não vi alguém com quem não pretendo perder o meu tempo, mas ultimamente não tenho visto ninguém mesmo.
Ou seja, me viu na rua e quer se visto por mim, atire-se na minha frente, faça gestos bruscos com os braços em minha direção ou simplesmente cutuque-me como der ou puder. Gritar não adianta: em 99% das vezes que estou na rua estou também com um fone no ouvido.
Quando eu morava no Rio o hábito de andar "sonhando"pelas ruas era um problema. Numa cidade como o Rio é sempre prudente estar alerta a tudo e a todos. Mas eu não. Sempre andei observando as pessoas, as paisagens, envolvida em meus pensamentos, meus questionamentos, meus conflitos. Não, nunca fui assaltada lá. Devo ser uma pessoa de sorte, se é que isso existe.
No mundo de hoje "sonhar"parece que não é um hábito muito louvável. As coisas acontecem com uma rapidez que qualquer vacilo pode te fazer perder algo importante, perder dinheiro, perder o melhor momento, enfim, perder. Vivemos quase que num piloto-automático. Tudo é pra ontem. Tudo mecânico.
É complicado perder tempo sonhando neste mundo. Sonhar requer tempo, requer paz, requer algum desapego pela rotina ganha-pão nossa de cada dia!
Perambular por aí sonhando numa grande cidade pode até ser perigoso... mas é tão bom, tão bom!

Os tempos são mesmo difíceis para os sonhadores!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sobre gatos e gatos.


Quando era criança eu tinha uma gatinha chamada Chamim. Na época a Chamim era filhote de uma ninhada da gata da minha avó. Fui passar férias na casa dela, vi a filhote, me apaixonei e bati pé que não voltaria pra casa sem ela. Deu certo! Lembro-me muito bem da Chamim dormindo no banco de trás do carro durante a viagem. Seis horas de estrada esburacada e ela dormindo como uma dama!

A gatinha foi crescendo... minha mãe sempre foi muito rígida com algumas regras da casa, e a principal era que a Chamim dormiria no banheirinho e nunca, nunca poderia subir nas camas e no sofá. Na época na ânsia de ter um gato concordei. Por vezes ela burlava a regra e dormia tranquilamente no sofá, até que minha mãe aparecia de uma forma não muito carinhosa para expulsá-la de lá.

Depois de um certo tempo, minha mãe não mais queria a Chamim lá em casa. Combinou de dá-la para um vizinho que tinha um sítio. Chorei, esperneei, ameaçei fazer greve de fome....mas nada adiantou! Tiraram de mim a Chamim. Eu sempre queria notícias dela e sempre ouvia algo tipo: "ah, ela está ótima, teve filhotinhos, corre e brinca pelo sítio". Acreditava por ser criança, ou talvez fosse mais cômodo acreditar para sofrer menos.

Desde esta experiência traumática, coloquei uma coisa na cabeça: QUANDO EU TIVER A MINHA CASA EU VOU TER UM GATO! Foi uma idéia fixa que me acompanhou ao longo de muitos anos.

Ao saber que viria para BH e teria enfim a minha casa, já conversei com um amigo que tinha uma gatinha com filhotinhos. Ele "reservou"pra mim uma pretinha, batizada como Frida . (Sempre gostei de gatos pretos). Levei-a ao veterinário, vacinas, remedinhos...mas ainda não podia trazê-la comigo, ainda não tinha arrumado apartamento. Portanto Frida ficou alguns meses com meu amigo até que eu pudesse enfim trazê-la .

Meu desejo de tê-la aqui era tão grande que assim que consegui o apartamento fui buscá-la. Só então me dei conta de que só pegaria as chaves do imóvel um dia depois, ainda pernoitaria uma última noite num hotel. A solução foi hospedar Frida num hotelzinho de animais.

No dia seguinte entrei no apartamento. Minha primeira noite na casa que eu tanto sonhei um dia em ter foi com uma mala, um edredon (usado como colchonete), um travesseiro, um lençol e a Frida. Minha casa não tinha fogão, geladeira, tv, nada. Mas tinha um GATO.

Depois de algum tempo, casa semi-mobiliada acabei pegando o segundo, desta vez um macho, batizado de Zorro. Como eu ficava muito tempo fora de casa achei que seria bacana Frida ter um amigo. Zorro foi achado na rua. Sujo, magro, esfomeado, com pulgas. Mais uma vez o circuito veterinário! Vacinas, remédios, vermífugos, banho! Comida! Zorro ficou o gato mais bonito que já vi! Pelo brilhante, macio, lindo!

No início Frida não curtiu muito a idéia de dividir seu espaço com outro gato. Mas em alguns dias foram se acostumando. Depois da castração de ambos a coisa ficou ainda mais fácil. Hoje são inseparáveis.

Não sei porque tive vontade de escrever sobre meus gatos hoje. Talvez por serem eles meus grandes companheiros, meus fiéis amigos, que nunca me deixam, que estão sempre ao meu lado e fazem festa ao me ver chegar. São eles que me ajudam nos momentos de solidão. São eles que preenchem o vazio da casa e parte do vazio que habita em mim.

domingo, 16 de agosto de 2009

Um lugar pra chamar de seu...

Foto tirada numa cidadezinha do interior de Minas Gerais. E se esta cidade fosse minha?

Um lugar pra chamar de seu.

Escrever é meio parecido com a solidão. Você se depara com o nada e uma página em branco. E a partir daí é preciso pensar e criar. Quem escreve em geral está só, num momento introspectivo, que exige alguma concentração. Estar sozinho não me parece muito diferente. Iniciando este texto pensei na solidão das grandes cidades e lembrei-me da minha cidade natal.

Sou uma pessoa urbana. Nasci numa cidade com aproximadamente 6 milhões de habitantes, passei a maior parte da minha vida em uma cidade de 500 mil habitantes e hoje vivo em uma cidade de 2 milhões e meio de habitantes. Minha infância foi entre grandes cidades, poluição, asfalto, prédios e shoppings. Nunca entrei num chiqueiro, raríssimas vezes andei a cavalo e muito menos nadei em lagos. Nunca acampei. Nunca pesquei nem vi pessoalmente alguém pescando. Tenho medo da maioria dos insetos. Odeio dormir cedo e o silêncio total do campo me enlouquece. Banho frio? Pode esquecer !

Confesso que sinto uma pontinha de inveja quando vejo os amigos comentando: “Ah, este final de semana vou lá na minha cidade, em (INSIRA AQUI O NOME DE UMA CIDADE DO INTERIOR), vai ter exposição agropecuária”, ou “Vou visitar a minha avó”, ou ainda “Vai ser aniversário da tia Maria” etc e tal. As pessoas falam com tanto apego e carinho pelas suas pequenas cidades! Conhecem a maioria de seus vizinhos. Conhecem os comerciantes. Conhecem os políticos! Enfim, as pessoas se conhecem! Elas sabem umas das vidas das outras! Elas não são somente mais um no meio da multidão.

É meio estranho não ter um lugarzinho pra chamar de seu. Um lugarzinho pequeno, aonde você seja conhecido, aonde você passe pelas ruas e vá dando “bom dia”a todos que vê, chamando-os pelo nome. Perguntando como está beltrano e por onde anda siclano. É o velho exercício de se relacionar. Da forma mais simples e tradicional que existe. Estando próximo. Sem orkut, twitter, msn, celular. Estando perto de verdade!

Não que eu não goste da minha cidade! Muito ao contrário. Amo o Rio de Janeiro, suas ruas, suas esquinas, seu povo, sua malandragem, sua poesia... mas a sensação que tenho é a de que minha cidade natal não cabe em mim. Ela é muito maior, ela transborda qualquer limite, ela vai além do que eu posso acompanhar. Ela não é a minha cidade, ela é do mundo. Bem diferente daquele cantinho perdido lá no fim do mundo, que quase ninguém conhece....

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Se tem uma coisa que me incomoda é o tal do "Dia do não sei quê lá". Dia das mães, dia dos pais, dia dos avós, dia do médico, dia do fulano, do beltrano....
Acho muito esquisito pensar em um dia especial para comemorar o dia de alguém. Com excessão do aniversário, claro, onde temos um motivo muito claro para parabenizar uma pessoa: é como se ela tivesse cumprido mais um ano de sua missão, mais um ano de conquistas, de vitórias etc. e tal.
Mas comemorar em um único dia o Dia dos Pais, por exemplo, me soa como algo da ordem do surreal. Por quê hoje é o Dia dos Pais? Quem definiu que este dia deve ser num domingo? e Por quê no mês de agosto?
Claro que fiz como manda a tradição. Liguei para o meu pai e desejei um Feliz Dia dos Pais. Após a felicitação disse apenas: "olha, não vou falar o resto das felicitações que repito todo ano não tá, afinal, você já sabe." Como meu pai conhece a filha que tem, limitou-se a rir e a concordar. Ele também não gosta dos clichês.
Todo ano é a mesma coisa. Se seu pai está distante você liga. Se está perto você muito provavelmente dá um presente e almoça com ele.
Eu acho tudo isso muito chato. Por quê não ligar num dia de quarta-feira qualquer pra dizer que está com saudades? Pra lembrar do quanto ele é especial? Por quê deixar o presente para o dia dos pais? Presente é legal dar quando você passa em um lugar, vê algo e pensa na pessoa. Então aquele objeto tem que ser dela. Aí você compra e dá, sem datas, sem comemorações. Apenas porque você ao se deparar com o objeto lembrou-se dela de imediato. O presente não precisa ser caro. Precisa ser significativo. Quantas vezes me emocionei e gostei muito mais de simples presentes a presentes de alto valor...
É incomodo ter que escolher um presente sob pressão. Não há nada que você queira dar, não há nada que você tenha "batido"o olho e lembrado da pessoa, mas você percorre desesperadamente os corredores do shopping em busca de um presente. Um presente que emocione.
Me pergunto o motivo disso. Por quê insistimos em manter tradições que nos obrigam a fazer algo quando não queremos?
Esse post ficou muito cheio de "Por quês"....

sábado, 8 de agosto de 2009

Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos

Voilá!
Mais um blog...
Depois de tantos criados e deletados, hoje, 08 de agosto de 2009 crio o meu sexto blog em menos de dois anos.
Os anteriores? Deletei. Cansei. Enjoei. Não, não salvei nada do que escrevi. Não teria nenhuma serventia.
Tentando entender o motivo pelo qual decidi criar este blog ainda me deparo com muitas incertezas. Um meio para se expressar? Reivindicar algo? Me expor?
Ainda não sei.
Só sei que o blog está criado. O futuro dele é que é incerto.