domingo, 27 de dezembro de 2009

Férias

Tirei férias daqui.
Volto em alguns dias. Ou não.
Até.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O ciclo.

Na próxima semana ocorrerá minha defesa de Mestrado: encerro um longo ciclo. Muita batalha, muita! Mas a sensação de que tudo o que fiz valeu a pena é impagável. Sensação de dever cumprido.
Sou uma pessoa reclamona por natureza. Não chego a ser dessas pessoas ranzinzas (ao menos eu acho que não), mas costumo criticar tudo o que está a minha volta, inclusive eu mesma. Muitas vezes essa crítica aparece na forma de uma reclamação. Outras vezes com um gesto, com o olhar. Muitas vezes guardo só pra mim. É uma forma de me manter em uma semi-harmonia com o mundo e com as pessoas que me cercam.
Hoje, as 00:48, depois de terminar a apresentação da minha defesa pude enfim respirar e perceber que na verdade não tenho muito do que reclamar. Pode parecer mentira, mas tudo o que eu queria conseguir na vida, eu realmente consegui. Não digo bens materiais, digo conquistas cotidianas.
Eu queria fazer Psicologia, fiz. Queria fazer em uma federal, passei em uma. Queria fazer especialização, fiz. Queria fazer Mestrado, fiz. Queria voltar a morar em minha terra natal, e lá morei por 03 anos. Queria ser independente e hoje cá estou. Queria ter gatos, tenho dois.
Em alguns momentos questiono-me se mereço mesmo tudo o que conquistei. Na verdade tudo o que fiz foi quase num piloto-automático, sem perceber.
Agora 2010 se apoxima e com o término do Mestrado penso no que vou fazer. Ainda é cedo para um Doutorado. Mas levar uma vida proletária, de acorda, trabalha, dorme, trabalha.. não é para mim. Preciso de um algo a mais, de um "plus".
Mil idéias, nada concreto. Queria que o meu dia tivesse mais de 24 hs, acho que já seria um ótimo começo.
Sinto-me agora como uma criança que abre a merendeira na escola e acha biscoito recheado de chocolate!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O lugar

Ela.
Sim, a menina.
A menina enfim estava aonde sempre achou que deveria estar. Lá, naquele lugar de sonhos. No lugar de volúpia, prazer, relaxamento. Encontro. Sintonia. Afinidade. Amor. Talvez estas pudessem ser algumas das palavras que melhor descreveriam o que ela sentia naquele instante. Êxtase. Certeza.
Ela ainda não sabia como. Só sabia que precisava se manter naquele lugar. A qualquer preço, a qualquer custo. Sua vida, sua felicidade dependiam de sua capacidade para tal. E ela estava decidida a não deixar a própria vida passar assim, na mesma velocidade dos cosmos, da luz e das idéias malucas que habitavam o mundo. Ela não sabia muito sobre a vida. Só tinha uma única certeza: precisava voltar!
Precisava!
Não sabia como.
Mas sabia.
Sabia.
Sabia?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Rio de Janeiro: Pré-viagem.

Esta semana volto ao Rio de Janeiro para resolver questões acadêmicas. Digo "volto" pois sinto como se eu ainda morasse lá, e somente vivesse em BH por um momento definido. A ansiedade pelo retorno é imensa. Só de pensar em sentir o cheiro daquela cidade já fico ensandecida. Lembro de um grande amigo, mineiro apaixonado pelo Rio, que diz que o Rio tem um cheiro que lhe é peculiar. Não é exatamente o cheiro do mar, nem algum cheiro da sujeira (sim, temos que reconhecer o lado ruim da cidade) mas simplesmente o cheiro do Rio. Não sei se todo carioca tem a mesma experiência olfativa que eu.
Pela primeira vez vou desembarcar no aeroporto Santos Dumont. O Galeão já conheço bem, e muito bem! Já perdi muitos vôos ali, já dormi no chão na época do "Caos Aéreo", já tomei café em todas as cafeterias e já comprei souvenirs nas lojinhas, como se fosse uma turista. O Santos Dumont é o cúmulo da praticidade, o aeroporto mais "mão na roda" que existe, muito mais do que o da Pampulha, aqui em Belo Horizonte.
Hoje, no entanto, embarco em Confins. O famoso aeroporto de BH que não fica em BH. Aliás, fica é longe prá burro. Nos confins do judas, literalmente.
A sensação que tenho em ir ao Rio é algo que se assemelha ao reencontro com aquilo que mais amamos. Rever um parente querido, um lugar especial, abraçar aquela pessoa, ganhar um beijo, um afago. É mais ou menos isso. O Rio me abraça. É isso não é nenhum slogan publicitário!
Muitas pessoas temem o Rio. Eu me sinto protegida lá. Já estou aqui pensando nas coisas que quero fazer: além da rotina acadêmica, quero tirar um tempinho para caminhar no calçadão, tomar um chopp no Leme Light (que de light nada tem) , ir a Livraria da Travessa, passar na Devassa, andar, andar, andar. Andar pelas ruas do Rio é meu sonho de consumo cotidiano. Quero rever muitas pessoas, pessoas das quais sinto muita falta. Pessoas que faziam os meus dias mais felizes.
Não posso reclamar de Belo Horizonte, a cidade que tanto me deu. Existe até uma certa "culpazinha" de não conseguir sentir pela cidade que me acolheu o mesmo amor que sinto pela minha terra natal. (Embora nem tenha passado lá a maior parte da minha vida). Mas não tem muita explicação. O Rio é o Rio e ponto. Nada se compara ao meu ver.

Belo Horizonte hoje é a minha cidade. Mas eu nunca fui dela.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O velho diário

Sempre ouvi dizer que escrever é uma forma importante de dar vazão aos nossos sentimentos. Na adolescência tive o conhecido diário, fiel companheiro de todo menina jovem. Ou nem tão jovem assim. Com o passar dos anos, por preguiça acabei abandonando meu velho diário de papel. Relendo-o encontro passagens que hoje já não fazem a menor importância para mim, mas que certamente no momento em que escrevi eram os grandes dilemas da minha vida. Preocupações com as baixas (baixíssimas) notas em Matemática, com determinado menino pelo qual eu estava apaixonada e não me dava bola e desavenças com colegas da escola por algum motivo banal: todas essas "grandes questões"estavam ali, registradas e documentadas. O diário era ainda complementado com figuras, fotos e desenhos que retratavam o que eu sentia ao escrever determinado relato.
Já pensei em me desfazer desse diário por diversas vezes. Ainda não tive coragem. Este diário é daqueles que tem um cadeado para impedir que terceiros o leiam. A chave era tão frágil que um simples grampo de cabelo o abriria facilmente. Não faço idéia de onde ela foi parar.
Nos últimos 04 anos mudei de endereço duas vezes. Nas mudanças sempre me preocupei em não deixar para trás os livros mais queridos, os DVD's e claro, o diário. Hoje guardo-o em uma pasta, junto com papéis importantes.
Ainda não consegui decidir o destino dele. Talvez o queime no final do ano. Há mais ou menos dois anos eu e algumas amigas criamos um ritual batizado de "Pira Dionisíaca". No dia 31/12 as 18:00 nos reunimos e em um vaso de barro colocamos tudo aquilo que queremos deixar para trás. Textos, bilhetes, nomes de pessoas, situações, frases, pequenos objetos...vale tudo! Após abastecer o vaso colocamos fogo. Enquanto as cinzas queimam o que não mais nos importa permanecemos em silêncio, em um momento de profunda introspecção. Refletimos sobre o que queimamos e sobre o que pretendemos fazer adiante. Ao término jogamos o vaso e as cinzas fora, em uma mata qualquer.
Que me atirem pedras os que não acreditam ou acham rituais uma bobagem. Receber mais uma crítica não fará muita diferença. Minha preocupação atual é se queimo ou não o velho diário. Enquanto não decido sigo escrevendo mesmo que o que eu escreva não faça o menor sentido.

domingo, 1 de novembro de 2009

Ho Ho Ho, Papai-noel já chegou!

Hoje me dei conta de que o final do ano chegou. Em uma tarde de tédio em meio a um feriado prolongado achei que seria uma boa idéia ir até o shopping, pegar um cinema, coisa básica do gênero. Nunca tive tanta certeza de que fizera uma escolha tão errada na vida: shopping lotado, calor inusportável e o pior.... o papai-noel já estava lá.
Surreal num país tropical como o Brasil obrigar um pobre velhinho a ficar horas sentado, vestido com uma roupa quente e usando uma barba branca postiça, posando sorridente para centenas de fotos.
Claro, só por essa situação já me bateu aquele desespero. Lugares cheios definitivamente não são o meu forte. Ainda mais se o papai-noel está lá.
Mas a situação que me deixou mais tensa foi dar-me conta de que o Natal está aí e que preciso comprar a porcaria dos presentes. Encarar shoppings lotados??? Ah ném...
Das duas uma: ou me programo para comprar tudo mais cedo este ano ( promessa de anos anteriores, jamais cumprida) ou compro tudo pela internet.
Chega de sofrer em meio a multidão.
O ano está acabando, mas minha vida não precisa acabar junto.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O tempo que jamais passou.


Pouco conhecia da vida. Sabia apenas que era preciso vencer. Desde pequena ouvira de sua mãe que precisava conquistar seu lugar ao sol. Não um lugar qualquer, mas um lugar especial, desses que causam inveja em muitos. A menina nem queria esse lugar. Não queria lugar nenhum, a não ser o que já tinha e o que já bem conhecia, e que justamente por este motivo lhe parecia o mais seguro de todos.
Mas não, não podia permanecer ali. Por mais que desejasse não mudar em dado momento foi necessário que a menina se posicionasse perante a vida e fizesse suas próprias escolhas. Não mais podia esperar respostas prontas da vida, tampouco soluções milagrosas. Mais tarde acabaria por descobrir que as mesmas não existiam. Bem diferente de tudo o que sempre lera nos contos de fadas.
Quando chegou o momento a menina sentia-se perdida. Sentia-se só. Diante de tamanho desamparo optou pela estratégia do "não pensar". Não pensar na própria vida e apenas seguir o caminho que via adiante. Assim numa tarde ensolarada arrumou sua mala e entrou num ônibus. Mal podia imaginar que naquele exato momento o que deixara para trás jamais voltaria a fazer parte de sua vida com a mesma força.
Enquanto chegava a seu destino revia toda a sua história, como num filme antigo. Revia cenas engraçadas, cenas não tão engraçadas e cenas comuns. Revia sua vida, seus momentos, seus medos, seus fantasmas, seus amores. Sabia que estava dando um passo em direção ao seu futuro, mas não fazia a menor idéia do motivo pelo qual o fazia. Talvez uma sucessão natural de acontecimentos. Quando pequena aprendera na escola que tudo que é vivo nascia, crescia, se desenvolvia e morria. Com ela não poderia ser diferente. Ela precisava crescer e se libertar de tudo o que lhe parecia confortável para se aventurar em busca do tal "crescimento". Acreditava que assim encontraria a sua felicidade.
Considerava-se uma pessoa feliz, ou ao menos uma pessoa que viveu muitos momentos felizes. Mas felicidade plena como as que passam nos filmes ela nunca havia vivenciado. Achava que ir em busca de sua "sucessão natural de fatores"acabaria levando-a a felicidade plena. Parecia que todo mundo vivia em busca disso. Por quê com ela seria diferente?
Movida de um misto de coragem e medo a menina seguia a viagem. Da sua janela avistava cidades desconhecidas, casebres, pessoas em bicicletas, pessoas em cavalos, pessoas a pé, pessoas. Não sabia exatamente o que encontraria a frente. Tinha apenas uma única certeza: a de que estava exatamente aonde deveria estar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ela e a cidade.


Andava perdida pelas ruas da grande cidade. As vezes apressava o passo pelo fato de estar atrasada ou simplesmente por não ter o que observar naquele local. Por vezes caminhava devagar, quase que num saculejo lento e preguiçoso, observando as pessoas, as ruas, as placas, as lojas. Tudo lhe parecia tão belo quanto distante.
Gostava de caminhar sem rumo. Já havia feito grandes descobertas deste modo, como uma simpática lojinha que vendia discos raros e uma cafeteria que servia um expresso incomparável. Não costumava demorar-se muito nesses lugares. Sentia sempre que algo a apressava, e por isso não perdia mais do que alguns minutos em cada parada perambulando pelas ruas.
Desde pequena nutria o desejo de morar em uma metrópole. Não conseguia entender muito bem como as pessoas podiam ser felizes sem morarem no olho do furacão, exatamente naquele lugar onde tudo acontecia. Na maioria das vezes nem estava presente nos grandes acontecimentos, limitando-se a viver em seu mundinho particular, lendo em seu sofá ou observando a vida passar de sua janela. Mas o fato de saber que poderia ter participado dos acontecimentos se quisesse soaria como reconfortante. E assim ela prosseguia. Em meio a uma multidão somente para ter a segurança de que estaria perto de tudo, caso assim desejasse.
Mas não. Ela nunca desejava. Em seus mais íntimos sonhos imaginava-se com uma vida pacata, uma casinha bege de telhado vermelho, com um jardim na frente e cercas de madeira. Teria um companheiro, teria filhos? Sim, teria. Em seus sonhos teria uma família perfeita. E claro, seria muito, muito feliz.
Mas a realidade com a qual se deparava não era essa. A solidão da grande cidade não a permitia viver na casa bege de seus sonhos. Em grandes cidades a prudência pede que se busque moradias mais seguras. Então ela foi morar em um apartamento seguro, em um andar bem elevado. De lá podia ver as pessoas passando pela rua. Figuras minúsculas, vagando de um lado a outro. O que elas estariam fazendo? Para onde estariam indo? Será que estavam felizes?
Ela gostava de gastar algum tempo com questionamentos acerca das pessoas que observava. Talvez fosse um modo de desviar tais questionamentos de si mesma.
E seguia observando a cidade.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Fobias


Gosto de usar este espaço mais para registrar sentimentos e percepções próprias, e por isso não costumo postar textos, letras de músicas e/ou qualquer outra manifestação que não seja de minha autoria. No entanto ontem li uma crônica de Luís Fernando Veríssimo que me deixou assombrada. Sabe quando lemos algo e temos a nítida sensação de que foi escrito para nós? Então, foi esta a sensação que tive ao ler a crônica intitulada "Fobias". A crônica trata de dois assuntos que já mencionei em outros posts: a dificuldade de conviver com a ausência do que a cidade grande nos oferece e o desespero daquele que é viciado em leitura ao perceber que não tem nada para ler. Li, reli, reli e reli. Deliciei-me com as palavras de Veríssimo.... não resisti e decidi transcrevê-la.... a crônica é dividida em duas partes, e transcrevo-a exatamente com a divisão colocada pelo autor. Contudo retiro um trecho, para tornar o post mais enxuto:


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Fobias
(Luis Fernando Veríssimo)

"As pessoas que defendem o pastoral e a volta ao primitivo nunca se lembram, nas suas rapsódias à vida rústica, dos insetos. Sempre que ouço alguém descrever, extasiado, as delícias de um acampamento - ah, dormir no chão, fazer fogo com gravetos e ir ao banheiro atrás do arbusto - me espanto um pouco mais com a variedade humana. somos todos da mesma espécie, mas o que encanta uns horroriza outros. Sou dos horrorizados com a privação deliberada. Muitas gerações contribuíram com seu sacrifício e seu engenho para que eu não precisasse fazer mais nada atrás do arbusto. Me sentiria um ingrato fazendo. E a verdade é que, mesmo para quem não tem os meus preconceitos, as delícias do primitivo nunca são exatamente como as descrevem. Aquela legendária casa à beira de uma praia escondida onde a civilização ainda não chegou, ou chegou mas foi corrida pelo vento, e onde tudo é bom e puro, não existe. E se existe, nunca é bem assim.

-Um paraíso!Não há nem um armazém por perto.

Quer dizer, não há acesso à aspirina, fósforos ou qualquer tipo de leitura salvo, talvez, metade de uma revista “Cigarra” de 1948, deixada pelos últimos ocupantes da casa quando foram carregados pelos mosquitos.

-A gente dorme ouvindo o barulho do mar…

E de animais terrestres e anfíbios tentando entrar na casa para morder o seu pé. E, se morder, você morre. O antibiótico mais próximo fica a 100 quilômetros e está com a data vencida.

Não. Fico com a cidade. A máxima concessão que faço à vida natural, no verão, são as bermudas. E, assim mesmo, longas. Muito curtas e já é um começo de volta à selva.”


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Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler (...) Já saí de cama de hotel no meio da noite e entrei no banheiro para ver se as torneiras tinham "Frio"e "Quente" escritos por extenso, para saciar minha sede de letras. Já ajeitei o travesseiro, ajustei a luz e abri a lista telefônica, tentando me convencer que, pelo menos no número de personagens, seria um razoável substituto para um romance russo. Já revirei cobertores e lençóis, à procura de uma etiqueta, qualquer coisa.

Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e deixam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação, embora não no modo pretendido. Nada como um best-seller numa hora dessas. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, o sexo em todas as suas formas, ação, paixão, violência - e uma mensagem positiva. Recomendo "Gênesis"pelo ímpeto narrativo, "O Cântico dos Cânticos" pela poesia e "Isaías" e "João" pela força dramática, mesmo que seja difícil dormir depois do Apocalipse.

Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma Amiga.

- Desculpe, cavalheiro, mas o hotel não fornece companhia feminina..

- Você não entendeu! Eu quero uma reista Amiga. Capricho, Vida Rotariana, qualquer coisa.

- Infelizmente, não tenho nenhuma revista.

- Não é possível! O que você faz durante a noite?

- Tricô.

Uma esperança!

- Com manual?

- Não.

Danação.

- Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá.

- Bem... Tem uma carta da mamãe.

- Manda!



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

No ponto de ônibus


Estava hoje eu voltando para casa, após sair do trabalho. Como de costume estava no ponto de ônibus com fones no ouvido e um livro na mão. Ouvir música e ler sempre foram hábitos que me acompanharam. Quando estou esperando um ônibus ou dentro de um é muito comum fazer as duas coisas ao mesmo tempo, ou ao menos uma delas.
Não sou uma pessoa antipática e mal-humorada, ao menos não me considero assim. No geral gosto de conhecer novas pessoas e conversar, mas hoje especialmente não estava muito para papo. As vezes isso acontece e acabo ficando mais fechada no meu canto.
Pois bem, lá estava eu no ponto de ônibus com os fones no ouvido, lendo um livro. Uma moça chega perto e pergunta algo que não consigo ouvir por causa da música. Tiro os fones de ouvido. O seguinte diálogo ocorre:

Eu: O quê?

Moça: Você já está aqui há muito tempo?

Eu: Não, acabei de chegar.

Fim de papo. Coloco os fones novamente. A moça fica atrás de mim, de modo que eu não consiga vê-la. De repente sinto uma mão nas minhas costas. A moça estava tentando ler uma frase que tenho tatuada nas costas. Tiro novamente o fone do ouvido e fecho o livro:

Moca: Ah que legal, o que está escrito?

Eu: "Que meus inimigos tenham olhos e não me vejam". É um trecho de uma oração de São Jorge.

Moça: Nossa que legal. Doeu muito?

Eu: Um pouco, mas dá para suportar.

Fim de papo novamente. Recoloco os fones no ouvido. A moça insiste em conversar. Desisto da música, desligo o mp3 e guardo os fones. Coloco o livro na bolsa. Apesar de realmente estar muito indisposta para o papo, tento ser simpática. Como a moça estava vestida com roupas de ginástica e uma mochilinha nas costas pergunto:

Eu: Está indo a Academia?

Moça: Ah não, quem me dera poder ir, é muito caro. Lá no meu bairro tem uma que custa 60 reais, é muito caro.

Neste momento senti-me a pior das criaturas por frequentar uma academia que custa o dobro deste valor. É estranho sentir vergonha por algo que fazemos e que não desabona em nada nossa conduta, mas me senti muito mal em poder fazer algo que o outro tanto queria fazer e não pode. Daí limitei-me a dizer:

Eu: Sim, é muito caro.

Enfiei a cara no livro e não consegui mais ser simpática. Já não estava para papo e ainda acontece uma dessas. Meu sexto sentido é mesmo muito porreta!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Encontros e despedidas.


Como de praxe em um feriado prolongado, fui visitar a família em Juiz de Fora. Toda viagem em feriado prolongado precisa ser meticulosamente planejada, a começar pela compra da passagem, que deve ser realizada com pelo menos 03 dias de antecedência. Fui até a rodoviária, encarei aquela fila e garanti a minha. Decidi viajar sábado quase de madrugada, as 06:15. Assim chegaria ao ônibus com tanto sono que dormir durante o trajeto seria certo. Claro que não deu outra!
Durante o trajeto vim observando as pessoas. As que aguardavam seus ônibus na rodoviária, as que deixavam alguém que iria viajar, as que acenavam pela janela, as que dormiam em cima de bolsas e malas, as que falavam ao celular.... é bastante curioso pensar nesses ambientes de passagem, como rodoviárias e aeroportos. Ali são vividos momentos de muita alegria e muita tristeza. São chegadas, partidas, encontros e despedidas.
Já na rodoviária de Juiz de Fora vi uma moça que chorava muito. Fiquei imaginando o motivo de tanta tristeza. Estaria partindo e deixando para trás algo ou alguém que muito amava? Estaria indo para algum local que não queria ir? Teria recebido uma notícia ruim? Passei pela moça como se não a tivesse visto e segui adiante.
É sempre bom voltar e rever aqueles que amamos. Porém quando nos tornamos adultos e temos uma casa para cuidar e uma vida própria esses momentos acabam ficando muito reduzidos. Morando em cidades diferentes a situação se complica ainda mais. Como o tempo é escasso, o negócio é otimizar o tempo. Aproveitar ao máximo a presença dos que amamos.
Fico um pouco incomodada com a capacidade que as pessoas têm de perder essas oportunidades. As vezes por preguiça, as vezes por criarem confusões e brigas desnecessárias. Não entendo como um parente pode não falar com o outro. Não consigo me imaginar sem manter contato com aqueles que amo.
Após um dia em Juiz de Fora já era hora de voltar. Novamente a odisséia da rodoviária. Gente, muita gente. Estrada lotada. Acidentes. Engarrafamentos. Calor. Cansaço. Mas a certeza de que fiz o que precisava ser feito. A certeza de que, mesmo que por tão pouco tempo, estive mais perto dos que amo.
E a vida segue....

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Telefone Vermelho


Tem dias que a gente acorda com vontade de não sair da cama. Tem dias que a gente acorda com vontade de comer pão com queijo na chapa. Tem dia que a gente acorda querendo dominar o mundo, e dias que a gente acorda querendo morrer.
Eu hoje acordei com vontade de comprar um telefone vermelho.
Sabe aqueles modelos mais antigos? Pois é, daquele mesmo. Que a gente precisava enfiar o dedo em cima do número correspondente e girar até bater com o dedo no início do disco? Discar o número 9 era uma tarefa quase que braçal!
Lembro-me de ter usado um telefone destes em 3 situações e lugares distintos: todos envolvendo pessoas que se estivessem vivas teriam mais de 70 anos! Uma delas ainda está viva e está com quase 80. Trata-se da minha avó materna. Na casa dela tinha um desses telefones quando eu era criança, mas eu quase não o usava, pois sempre que ia passar férias na casa dela ia com minha mãe, logo não precisava me comunicar com ninguém. ( Para uma criança da minha geração comunicar-se com a mãe estava de bom tamanho).
Meus avós paternos também tinham um telefone destes. Quando passava as férias com eles no Rio de Janeiro aí sim eu me esbaldava!! Ligava para a minha mãe quase que para ter somente o prazer de girar o disco repetidas vezes! O telefone ficava num móvel que foi criado especificamente para telefones, parecido com uma cadeira acoplada a um nível mais elevado, aonde ficava o telefone. Era espaço suficiente para uma pessoa sentar-se e falar ao telefone. Neste nível mais elevado ficava o aparelho e agendas, listas telefônicas. Não sei o nome deste móvel.
O último local que me recordo de ter usado um telefone destes foi na casa de uma tia-avó, que morava em Juiz de Fora-MG, cidade em que passei a maior parte da minha vida. O telefone dela ficava na parte mais alta de uma estante que pegava toda a parede da sala, o que nos obrigava a falar de pé. Algumas vezes eu chegava do colégio e passava na casa dela. Em alguns momentos cheguei a ficar com ela a noite para não ficar sozinha em casa, já que minha mãe trabalhava até mais tarde. Lembro-me como se fosse hoje dela me recebendo com ovos mexidos com queijo ralado para o lanche. Nunca mais consegui comer ovos como aqueles. Ninguém faz igual. Lembro-me do robe azul que ela usava, dos cabelos brancos, longos e muito lisos presos em um coque. Do cheiro de casa de "vó". Dos retratos em Preto e Branco pelas paredes. Lembro-me de cada detalhe da casa dela.
Talvez por isso eu queira tanto este telefone. Seria um meio capenga de trazer essas pessoas de volta prá perto de mim, mesmo que em minhas lembranças.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

São tempos difíceis para os sonhadores.
















Não é difícil passar por mim na rua sem ser visto. Sempre ando com a cabeça nas nuvens, pensando em algo, buscando soluções ou na maioria das vezes criando mais problemas. Ou estou pensando de uma forma tão introspectiva que não me dou conta do que acontece ao meu redor ou pego-me observando algo ou alguém com tanto afinco que do mesmo modo o que estiver ao meu redor pouco me chamará a atenção.
O fato é que só esta semana ouvi de três pessoas a seguinte frase: "Ah, te vi sei lá aonde, acenei, mas você não me viu". Certamente não vi. Claro que tenho a capacidade (e a uso muito) de fingir que não vi alguém com quem não pretendo perder o meu tempo, mas ultimamente não tenho visto ninguém mesmo.
Ou seja, me viu na rua e quer se visto por mim, atire-se na minha frente, faça gestos bruscos com os braços em minha direção ou simplesmente cutuque-me como der ou puder. Gritar não adianta: em 99% das vezes que estou na rua estou também com um fone no ouvido.
Quando eu morava no Rio o hábito de andar "sonhando"pelas ruas era um problema. Numa cidade como o Rio é sempre prudente estar alerta a tudo e a todos. Mas eu não. Sempre andei observando as pessoas, as paisagens, envolvida em meus pensamentos, meus questionamentos, meus conflitos. Não, nunca fui assaltada lá. Devo ser uma pessoa de sorte, se é que isso existe.
No mundo de hoje "sonhar"parece que não é um hábito muito louvável. As coisas acontecem com uma rapidez que qualquer vacilo pode te fazer perder algo importante, perder dinheiro, perder o melhor momento, enfim, perder. Vivemos quase que num piloto-automático. Tudo é pra ontem. Tudo mecânico.
É complicado perder tempo sonhando neste mundo. Sonhar requer tempo, requer paz, requer algum desapego pela rotina ganha-pão nossa de cada dia!
Perambular por aí sonhando numa grande cidade pode até ser perigoso... mas é tão bom, tão bom!

Os tempos são mesmo difíceis para os sonhadores!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sobre gatos e gatos.


Quando era criança eu tinha uma gatinha chamada Chamim. Na época a Chamim era filhote de uma ninhada da gata da minha avó. Fui passar férias na casa dela, vi a filhote, me apaixonei e bati pé que não voltaria pra casa sem ela. Deu certo! Lembro-me muito bem da Chamim dormindo no banco de trás do carro durante a viagem. Seis horas de estrada esburacada e ela dormindo como uma dama!

A gatinha foi crescendo... minha mãe sempre foi muito rígida com algumas regras da casa, e a principal era que a Chamim dormiria no banheirinho e nunca, nunca poderia subir nas camas e no sofá. Na época na ânsia de ter um gato concordei. Por vezes ela burlava a regra e dormia tranquilamente no sofá, até que minha mãe aparecia de uma forma não muito carinhosa para expulsá-la de lá.

Depois de um certo tempo, minha mãe não mais queria a Chamim lá em casa. Combinou de dá-la para um vizinho que tinha um sítio. Chorei, esperneei, ameaçei fazer greve de fome....mas nada adiantou! Tiraram de mim a Chamim. Eu sempre queria notícias dela e sempre ouvia algo tipo: "ah, ela está ótima, teve filhotinhos, corre e brinca pelo sítio". Acreditava por ser criança, ou talvez fosse mais cômodo acreditar para sofrer menos.

Desde esta experiência traumática, coloquei uma coisa na cabeça: QUANDO EU TIVER A MINHA CASA EU VOU TER UM GATO! Foi uma idéia fixa que me acompanhou ao longo de muitos anos.

Ao saber que viria para BH e teria enfim a minha casa, já conversei com um amigo que tinha uma gatinha com filhotinhos. Ele "reservou"pra mim uma pretinha, batizada como Frida . (Sempre gostei de gatos pretos). Levei-a ao veterinário, vacinas, remedinhos...mas ainda não podia trazê-la comigo, ainda não tinha arrumado apartamento. Portanto Frida ficou alguns meses com meu amigo até que eu pudesse enfim trazê-la .

Meu desejo de tê-la aqui era tão grande que assim que consegui o apartamento fui buscá-la. Só então me dei conta de que só pegaria as chaves do imóvel um dia depois, ainda pernoitaria uma última noite num hotel. A solução foi hospedar Frida num hotelzinho de animais.

No dia seguinte entrei no apartamento. Minha primeira noite na casa que eu tanto sonhei um dia em ter foi com uma mala, um edredon (usado como colchonete), um travesseiro, um lençol e a Frida. Minha casa não tinha fogão, geladeira, tv, nada. Mas tinha um GATO.

Depois de algum tempo, casa semi-mobiliada acabei pegando o segundo, desta vez um macho, batizado de Zorro. Como eu ficava muito tempo fora de casa achei que seria bacana Frida ter um amigo. Zorro foi achado na rua. Sujo, magro, esfomeado, com pulgas. Mais uma vez o circuito veterinário! Vacinas, remédios, vermífugos, banho! Comida! Zorro ficou o gato mais bonito que já vi! Pelo brilhante, macio, lindo!

No início Frida não curtiu muito a idéia de dividir seu espaço com outro gato. Mas em alguns dias foram se acostumando. Depois da castração de ambos a coisa ficou ainda mais fácil. Hoje são inseparáveis.

Não sei porque tive vontade de escrever sobre meus gatos hoje. Talvez por serem eles meus grandes companheiros, meus fiéis amigos, que nunca me deixam, que estão sempre ao meu lado e fazem festa ao me ver chegar. São eles que me ajudam nos momentos de solidão. São eles que preenchem o vazio da casa e parte do vazio que habita em mim.

domingo, 16 de agosto de 2009

Um lugar pra chamar de seu...

Foto tirada numa cidadezinha do interior de Minas Gerais. E se esta cidade fosse minha?

Um lugar pra chamar de seu.

Escrever é meio parecido com a solidão. Você se depara com o nada e uma página em branco. E a partir daí é preciso pensar e criar. Quem escreve em geral está só, num momento introspectivo, que exige alguma concentração. Estar sozinho não me parece muito diferente. Iniciando este texto pensei na solidão das grandes cidades e lembrei-me da minha cidade natal.

Sou uma pessoa urbana. Nasci numa cidade com aproximadamente 6 milhões de habitantes, passei a maior parte da minha vida em uma cidade de 500 mil habitantes e hoje vivo em uma cidade de 2 milhões e meio de habitantes. Minha infância foi entre grandes cidades, poluição, asfalto, prédios e shoppings. Nunca entrei num chiqueiro, raríssimas vezes andei a cavalo e muito menos nadei em lagos. Nunca acampei. Nunca pesquei nem vi pessoalmente alguém pescando. Tenho medo da maioria dos insetos. Odeio dormir cedo e o silêncio total do campo me enlouquece. Banho frio? Pode esquecer !

Confesso que sinto uma pontinha de inveja quando vejo os amigos comentando: “Ah, este final de semana vou lá na minha cidade, em (INSIRA AQUI O NOME DE UMA CIDADE DO INTERIOR), vai ter exposição agropecuária”, ou “Vou visitar a minha avó”, ou ainda “Vai ser aniversário da tia Maria” etc e tal. As pessoas falam com tanto apego e carinho pelas suas pequenas cidades! Conhecem a maioria de seus vizinhos. Conhecem os comerciantes. Conhecem os políticos! Enfim, as pessoas se conhecem! Elas sabem umas das vidas das outras! Elas não são somente mais um no meio da multidão.

É meio estranho não ter um lugarzinho pra chamar de seu. Um lugarzinho pequeno, aonde você seja conhecido, aonde você passe pelas ruas e vá dando “bom dia”a todos que vê, chamando-os pelo nome. Perguntando como está beltrano e por onde anda siclano. É o velho exercício de se relacionar. Da forma mais simples e tradicional que existe. Estando próximo. Sem orkut, twitter, msn, celular. Estando perto de verdade!

Não que eu não goste da minha cidade! Muito ao contrário. Amo o Rio de Janeiro, suas ruas, suas esquinas, seu povo, sua malandragem, sua poesia... mas a sensação que tenho é a de que minha cidade natal não cabe em mim. Ela é muito maior, ela transborda qualquer limite, ela vai além do que eu posso acompanhar. Ela não é a minha cidade, ela é do mundo. Bem diferente daquele cantinho perdido lá no fim do mundo, que quase ninguém conhece....

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Se tem uma coisa que me incomoda é o tal do "Dia do não sei quê lá". Dia das mães, dia dos pais, dia dos avós, dia do médico, dia do fulano, do beltrano....
Acho muito esquisito pensar em um dia especial para comemorar o dia de alguém. Com excessão do aniversário, claro, onde temos um motivo muito claro para parabenizar uma pessoa: é como se ela tivesse cumprido mais um ano de sua missão, mais um ano de conquistas, de vitórias etc. e tal.
Mas comemorar em um único dia o Dia dos Pais, por exemplo, me soa como algo da ordem do surreal. Por quê hoje é o Dia dos Pais? Quem definiu que este dia deve ser num domingo? e Por quê no mês de agosto?
Claro que fiz como manda a tradição. Liguei para o meu pai e desejei um Feliz Dia dos Pais. Após a felicitação disse apenas: "olha, não vou falar o resto das felicitações que repito todo ano não tá, afinal, você já sabe." Como meu pai conhece a filha que tem, limitou-se a rir e a concordar. Ele também não gosta dos clichês.
Todo ano é a mesma coisa. Se seu pai está distante você liga. Se está perto você muito provavelmente dá um presente e almoça com ele.
Eu acho tudo isso muito chato. Por quê não ligar num dia de quarta-feira qualquer pra dizer que está com saudades? Pra lembrar do quanto ele é especial? Por quê deixar o presente para o dia dos pais? Presente é legal dar quando você passa em um lugar, vê algo e pensa na pessoa. Então aquele objeto tem que ser dela. Aí você compra e dá, sem datas, sem comemorações. Apenas porque você ao se deparar com o objeto lembrou-se dela de imediato. O presente não precisa ser caro. Precisa ser significativo. Quantas vezes me emocionei e gostei muito mais de simples presentes a presentes de alto valor...
É incomodo ter que escolher um presente sob pressão. Não há nada que você queira dar, não há nada que você tenha "batido"o olho e lembrado da pessoa, mas você percorre desesperadamente os corredores do shopping em busca de um presente. Um presente que emocione.
Me pergunto o motivo disso. Por quê insistimos em manter tradições que nos obrigam a fazer algo quando não queremos?
Esse post ficou muito cheio de "Por quês"....

sábado, 8 de agosto de 2009

Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos

Voilá!
Mais um blog...
Depois de tantos criados e deletados, hoje, 08 de agosto de 2009 crio o meu sexto blog em menos de dois anos.
Os anteriores? Deletei. Cansei. Enjoei. Não, não salvei nada do que escrevi. Não teria nenhuma serventia.
Tentando entender o motivo pelo qual decidi criar este blog ainda me deparo com muitas incertezas. Um meio para se expressar? Reivindicar algo? Me expor?
Ainda não sei.
Só sei que o blog está criado. O futuro dele é que é incerto.